A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova forma de tratar o linfoma de Hodgkin em estágio avançado. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e libera o uso do medicamento Opdivo® (nivolumabe) junto com a quimioterapia em pacientes com a doença nos estágios III e IV.
O nivolumabe já era usado em outros tipos de câncer, como melanoma e câncer de pulmão. Agora, ele também poderá fazer parte do tratamento inicial do linfoma de Hodgkin avançado, combinado com os medicamentos da quimioterapia conhecidos como AVD: doxorrubicina, vimblastina e dacarbazina.
Segundo estudos usados na aprovação, essa combinação conseguiu reduzir entre 50% e 60% o risco de a doença piorar ou levar à morte. O resultado aumenta as chances de controlar o câncer por mais tempo, principalmente entre adolescentes e adultos jovens, que são os mais afetados pela doença.
O que muda
A principal mudança é que a imunoterapia passa a ser usada logo no começo do tratamento dos casos mais graves. Antes, a maior parte dos pacientes fazia apenas a quimioterapia tradicional.
Com a nova combinação, o tratamento passa a agir de duas maneiras diferentes. A quimioterapia combate diretamente as células do câncer, enquanto o nivolumabe ajuda o sistema imunológico a reconhecer e atacar a doença.
Na prática, isso pode aumentar as chances de o organismo responder melhor ao tratamento desde o início e diminuir o risco de o câncer avançar rapidamente.
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Redução no risco da doença avançar
A aprovação da Anvisa foi baseada em um estudo internacional de fase III chamado CA2098UT. A pesquisa avaliou pacientes com linfoma de Hodgkin clássico avançado tratados com a combinação de nivolumabe e quimioterapia.
Os resultados mostraram uma queda de cerca de 50% a 60% no risco de progressão da doença ou morte quando comparado aos tratamentos usados anteriormente.
Para pacientes em estágio avançado, esse tipo de resultado é importante porque aumenta o tempo de controle do câncer e pode evitar complicações mais graves ao longo do tratamento.
Doença afeta principalmente jovens
O linfoma de Hodgkin clássico costuma atingir mais adolescentes e adultos jovens. Por isso, o impacto da doença acaba afetando também estudos, trabalho e rotina.
Quando o tratamento consegue controlar melhor o câncer, aumentam as chances de a pessoa manter parte das atividades do dia a dia durante a terapia. Além disso, diminui a possibilidade de precisar de tratamentos mais agressivos no futuro por causa de recaídas.
Médicos também apontam que terapias mais modernas podem ajudar a reduzir o desgaste causado por longos períodos de tratamento.
Nova opção para casos mais difíceis
Mesmo sendo um câncer que tem boas chances de cura, alguns pacientes não respondem bem à quimioterapia tradicional ou voltam a apresentar a doença depois do tratamento.
Estimativas mostram que entre 15% e 30% dos pacientes em estágio avançado podem ter recaída ou resistência ao tratamento padrão.
Nesse cenário, a imunoterapia aparece como mais uma opção importante. O nivolumabe ajuda o sistema imunológico a identificar as células cancerígenas e combater o tumor junto com a quimioterapia.
O novo tratamento para o linfoma de Hodgkin identifica as células cancerígenas e combater o tumor junto com a quimioterapia. – Foto: Pixabay




