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Os dez melhores discos de 2026 até agora, de Olivia Rodrigo a Paul McCartney

Por Guilherme
Por Guilherme

Terminado o primeiro semestre de 2026, já é hora de olhar no retrovisor e encarar o que foi lançado de melhor no mundo das artes, sejam filmes, séries ou discos. Entre o pop americano e trabalhos de lendas da música, estes dez álbuns são a nata do ano — até o momento:

You Seem Pretty Sad for a Girl So In Love, de Olivia Rodrigo

Prodígio da Geração Z, Olivia Rodrigo ascendeu imediatamente ao alto escalão do pop quando lançou seu primeiro single autoral em 2021, Drivers License — simples o suficiente para soar identificável a qualquer um que passou pela adolescência, mas elevado por uma estrutura que tinha como prioridade a intensificação emocional a cada estrofe. Cinco anos depois, a jovem não só aperfeiçoou a fórmula — aparente nos singles Stupid Song The Cure — como lançou mão de referências diversas dos anos 1980 e 1990, como as bandas The Cure e Devo. Eclética, a paleta musical até chega a ecoar o electroclash do saudoso grupo brasileiro Cansei de Ser Sexy. O resultado é o disco mais viciante que a jovem já fez, e também o mais maduro emocionalmente, qualidade que reluz até em sua faixa menos eficaz, Purple.

The Boys of Dungeon Lane, de Paul McCartney

Paul McCartney pode dizer que teve uma das trajetórias mais fascinantes do último século, recontada ad infinitum por documentários, filmes e livros. Aos 84 anos, porém, ele se vê revisitando as lembranças alheias ao glamour, sejam elas anedotas da infância em Liverpool, ou momentos íntimos com seus ilustres colegas de banda, feito uma viagem de carro com George Harrison, inspiração para o som acústico de Down South. Além de tocar a maior parte dos instrumentos presentes no disco, McCartney ainda exibe os dotes para contar histórias sucintas que o levou a revolucionar a música. Momma Gets By, encerramento do álbum, é digna dos tempos áureos de sua carreira.

This Music May Contain Hope, de Raye

Após se desvencilhar da antiga gravadora, a Polydor Records, a inglesa Raye tomou as rédeas da própria carreira e apostou na liberdade criativa total para compor seu disco, que vai na contramão do que é considerado radiofônico em nome de instrumentais suntuosos e letras que, de tão detalhadas, parecem retiradas de algum espetáculo do teatro musical. A alma antiga da cantora não a impede de produzir um bom som chiclete como Where is My Husband, ou de encarar os grandes dilemas da contemporaneidade, desde a crise de saúde mental que aflige milhões ao redor do mundo, até questões simples como encontrar um amor duradouro dentro da era digital. No caminho, ela conta com ajuda de um dos maiores compositores do cinema moderno, Hans Zimmer, e da lenda do Soul Al Green.

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A Estrada, de Lô Borges

Enorme perda para a música no Brasil e mundo, Lô Borges morreu em novembro de 2025, aos 73 anos — mas deixou gravações inéditas, as últimas feitas com seu parceiro de longa data e irmão, Márcio Borges, de 80 anos. O projeto foi idealizado, gravado e finalizado entre 2023 e 2024, com aprovação total do cantor, e é impossível não se emocionar com as faixas. Última Parada, em especial, funciona perfeitamente como despedida do homem que deu ao mundo Clube da Esquina e mais clássicos seminais: “Finalmente eu cheguei onde quero estar, completei o prometido, cumpri a missão e vou em paz”.

Prizefighter, de Mumford & Sons

Ao longo de 18 anos, o trio britânico Mumford & Sons construiu uma carreira consistente no folk, mas sem deixar de fazer experimentações pontuais em outros estilos, como no álbum Wilder Mind (2015), quando se aventuraram no indie rock. No ano em que marcam presença no Rock In Rio, eles lançam ainda Prizefighter, disco que abandona os refrões explosivos, traz de volta o banjo e dá vazão a um lado mais introspectivo e minimalista dos músicos. A experimentação, porém, continua, trazendo para a gravação a participação de grandes talentos contemporâneos da música anglófona, como o irlandês Hozier e a americana Gigi Perez.

Honora, de Flea 

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Trompetista por formação, mas baixista de profissão na banda californiana Red Hot Chili Peppers, Flea — nome artístico de Michael Peter Balzary — tem talento de sobra e mostra isso em seu trabalho mais recente, Honora, onde faz o papel de compositor, vocalista, trompetista e baixista – todas as funções exercidas com maestria. O músico ainda se mostra um ouvinte atento ao reinventar músicas já existentes, como Thinkin Bout You, de Frank Ocean, substituindo os vocais por uma melodia em trompete acompanhada de cordas. Chama a atenção ainda a colaboração com Thom Yorke, do Radiohead, na divertida Traffic Lights.

A Bossa Rara de Nara, de Nara Leão

Durante uma arrumação despretensiosa em seu estúdio, o veterano produtor Raymundo Bittencourt se deparou com um tesouro esquecido: fitas com gravações inéditas de Nara Leão (1942-1989) interpretando clássicos da bossa nova, gênero do qual ela foi uma das grandes musas. Registrada presumivelmente nos anos 1980, a voz marcante de Nara foi digitalizada em 2026 e acompanhada de novo instrumental delicado, revitalizando sucessos como Chega de Saudade, Manhã de Carnaval e O Barquinho, que renovam seu brilho com a voz inesquecível da artista.

Dominguinho vol.2, de Jota.pê, Mestrinho e João Gomes

Depois do sucesso sem precedentes de Dominguinho, de 2025, um volume 2 do disco consolida a potência da parceria entre Jota.pê, Mestrinho e João Gomes. A curiosidade em torno do trio, embora já sanada com o primeiro volume, ganha novas camadas com este lançamento, onde os músicos entregam inteligentes releituras da música brasileira, como em Onde Está Você, originalmente cantada por Dominguinhos e Elba Ramalho, Se Ela Dança, Eu Danço, de Mc Leozinho, e As Quatro Estações de Sandy e Junior. Com a mistura entre tais versões e composições autorais, o álbum traz a solidez necessária para ser performado ao vivo – uma de suas intenções principais. 

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Carry the Light, de Peter Frampton

Aos 76 anos, Peter Frampton não imaginava que estaria lançando um disco. Diagnosticada anos antes, a miosite por corpos de inclusão (MCI) havia prometido debilitar sua capacidade de tocar guitarra e se apresentar ao vivo, mas não foi bem assim. Apesar de incurável, a doença degenerativa ainda pode ser driblada com cautela, e assim o veterano tem continuado a rotina de shows e os trabalhos no estúdio de gravação. Em seu primeiro álbum de inéditas em 16 anos, ele celebra o feito e demonstra respeito às tradições do rock — como na nostálgica homenagem a Tom Petty Buried Treasure —, mas também deixa claro seu entusiasmo quanto aos novatos interessados em carregar tal legado. A parceria instrumental com H.E.R, cantora de 29 anos, é ponto alto entre as dez faixas.

The Other Side, de Seu Jorge

Resultado de 16 anos de trabalho, o décimo álbum de estúdio de Seu Jorge resgata composições de Milton Nascimento, Arthur Verocai e Capinam, assim como de americanos feito Frenchie Thompson e Nick Drake — cuja canção River Man se torna dueto inusitado ao lado de Beck. Em inglês ou português, a voz do carioca flutua sobre os arranjos de cordas e metais e soa como uma carta de amor aos últimos 50 anos da música. Orgulhoso, Seu Jorge chegou a declarar ao streaming Apple Music, na lata: “É, sem dúvida, o melhor álbum da minha carreira”.

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