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Artemis 3 pode atrasar por causa da SpaceX e Blue Origin?

Esse é um trecho da newsletter de Ciência de Espaço, disponível para assinantes do Clube Olhar Digital

A missão Artemis 3, da NASA, passou por uma reformulação importante. O que era para ser o grande retorno de astronautas à superfície da Lua desde 1972 virou, por enquanto, um teste em órbita baixa da Terra. O pouso tripulado foi adiado para a Artemis 4, prevista para 2028. A decisão, anunciada oficialmente, reflete uma realidade incômoda: nem a SpaceX nem a Blue Origin têm seus módulos lunares prontos.

A Artemis 3 está mantida no cronograma para 2027, mas com um objetivo mais modesto: a cápsula Orion vai ensaiar encontro e acoplagem com os módulos de pouso comerciais (HLS) ainda em desenvolvimento. Na prática, a NASA comprou tempo para que as duas empresas amadureçam suas tecnologias sem a pressão imediata de um pouso lunar.

SpaceX: avanço real, desafio enorme

A Starship HLS é o módulo mais avançado em termos de testes. A SpaceX já acumula voos e aprendizado acelerado. Mas o problema não é o foguete em si – é a operação completa. Para levar a Starship à Lua, será necessário reabastecê-la no espaço com uma cadeia de mais de dez lançamentos-tanque. A transferência de propelente criogênico em órbita nunca foi feita em escala. Sem essa demonstração, prevista para 2026, não há pouso lunar.

A SpaceX venceu um contrato com a NASA para oferecer o Starship como módulo de pouso lunar Crédito: SpaceX

Blue Origin: redundância e atrasos

O módulo Blue Moon MK2, da Blue Origin, ganhou importância porque a NASA quer uma segunda opção. Sua arquitetura é menos ambiciosa, mas igualmente complexa, exigindo reabastecimento orbital e o foguete New Glenn. Em abril de 2026, um voo do New Glenn sofreu um incidente no segundo estágio, levando a uma investigação da FAA. Além disso, relatórios do inspetor-geral da NASA apontam que a Blue Origin ainda precisa amadurecer sistemas de propulsão e reduzir massa do lander.

Conceito artístico mostra o módulo de pouso Blue Moon Mark 1, da Blue Origin, e o rover VIPER, da NASA, na superfície lunar. Crédito: Blue Origin

Uma corrida, não uma fila

A NASA transformou a Artemis 3 num ensaio geral e a Artemis 4 no primeiro pouso. A estratégia é inteligente, mas escancara a dificuldade do programa: voltar à Lua com tecnologia comercial e reabastecimento orbital é muito mais difícil do que os comunicados otimistas sugeriam. A SpaceX tem vantagem em testes, mas carrega os maiores riscos. A Blue Origin tem menos histórico, mas pode se beneficiar de qualquer tropeço da concorrente.

A Lua continua sendo o destino. Mas, por enquanto, quem chegar primeiro é uma aposta em aberto.

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