Andreas Kisser subiu ao palco com uma camiseta dos Looney Tunes estampada com o bordão “That’s all folks” — o “por hoje é só, pessoal” com que o Gaguinho encerrava os desenhos animados. Era o recado do guitarrista no último show da carreira do Sepultura, neste sábado, 7, no Suhai Music Hall, em São Paulo. A apresentação encerrou a turnê Celebrating Life Through Death, iniciada em 2024, e pôs fim a mais de quarenta anos de estrada da banda que levou o metal brasileiro a oitenta países.
Logo no início, o vocalista Derrick Green tentou segurar a emoção: “Esse momento é muito especial, muito obrigado. Não quero chorar agora. Tem mais músicas para vocês”. E tinha. O repertório, com mais de trinta faixas, passou por diferentes fases do grupo, de Arise e Beneath the Remains a Kairos e Means to an End, do álbum Quadra, até fechar com Ratamahatta e Roots Bloody Roots.
O que marcou a noite, porém, foi o desfile de convidados. Antes de chamar os primeiros, Andreas Kisser falou ao público: “Finalmente estamos aqui. A gente não poderia ter uma despedida melhor que essa. Vocês são fãs de verdade e mantiveram essa banda motivada e com vontade de fazer discos e tocar.”
Em seguida, subiram ao palco músicos de bandas mais jovens, como Sean Sterling e Ethan Kahn, do Chained Saint, e Alan Wallace, do Eminence, todos influenciados pelo Sepultura. Yohan Kisser, filho de Andreas, tocou em Convicted in Life.
Nomes históricos do metal nacional também apareceram. Moyses Kolesne, do Krisiun, participou de Itsári, e Amilcar Christófaro, do Torture Squad, de Beneath the Remains. João Gordo cantou Reza e, ao lado do guitarrista Jão, puxou dois clássicos do Ratos de Porão: Crucificados Pelo Sistema e Beber Até Morrer. Jairo Guedz, guitarrista da formação original, voltou para Biotech is Godzilla, Slave New World e Troops of Doom. Os irmãos Max e Iggor Cavalera, fundadores da banda, não participaram.
O último show do Sepultura, no Suhai Music Hall, em São Paulo@drispaca/Divulgação
Com ingressos esgotados, a despedida estava marcada inicialmente para a Mercado Livre Arena Pacaembu, mas foi transferida para a casa de shows, que comporta 9 000 pessoas, menos da metade do que o local original. E ainda deve render um registro. Desde o início da turnê, a banda grava os shows para lançar uma coletânea com quarenta músicas captadas em quarenta cidades diferentes, ainda sem data. O último trabalho de estúdio do grupo é o EP The Cloud of Unknowing, lançado em abril.




