A cientista brasileira Luisa Lina Villa, de 75 anos, que teve participação fundamental na criação da vacina contra o HPV, recebe nesta quarta-feira (12) um dos principais reconhecimentos de sua carreira. Ela é a vencedora do Prêmio Octavio Frias de Oliveira na categoria Personalidade de Destaque em Oncologia.
A homenagem reconhece uma trajetória de quase cinco décadas dedicada ao papilomavírus humano e à prevenção do câncer. A pesquisadora participou de estudos que ajudaram a entender como a infecção pelo HPV pode evoluir para diferentes tipos de tumor e foi uma das principais autoras de um ensaio clínico decisivo para a aprovação da vacina quadrivalente.
Hoje, ao ver adolescentes recebendo a vacina que ajudou a tornar realidade, Luisa acompanha na prática os resultados de décadas de pesquisa. Para ela, observar a queda do câncer provocada pela imunização é “a felicidade completa”. Veja a publicação abaixo.
Pesquisa começou nos anos 1980
Luisa começou a estudar o HPV no início dos anos 1980, quando ainda havia muitas dúvidas sobre o vírus. Em 1983, ingressou no Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, em São Paulo, onde criou um importante grupo de virologia e, anos mais tarde, tornou-se diretora científica da instituição.
Um dos trabalhos mais importantes de sua carreira foi o estudo Ludwig-McGill, desenvolvido ao lado do epidemiologista Eduardo Franco. A pesquisa acompanhou cerca de 2.500 mulheres por mais de três décadas para compreender a evolução dos diferentes tipos de HPV e sua relação com o câncer do colo do útero.
Os resultados ajudaram a construir conhecimento usado nas estratégias de prevenção adotadas posteriormente. Neste ano, Luisa e Eduardo passaram a liderança do estudo para pesquisadoras formadas pelos próprios grupos, dando continuidade a um trabalho iniciado há mais de 30 anos.
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Estudo ajudou na aprovação da vacina
Em 2005, Luisa Lina Villa foi autora principal de um ensaio clínico publicado na revista científica The Lancet Oncology. O estudo foi decisivo para demonstrar a segurança e a capacidade da vacina quadrivalente de prevenir a infecção pelos tipos de HPV incluídos no imunizante.
A própria pesquisadora faz questão de destacar que a conquista não foi individual. O desenvolvimento envolveu diversos cientistas e também mulheres brasileiras que participaram dos ensaios clínicos que permitiram testar a vacina.
Hoje, a vacina quadrivalente protege contra os tipos 6 e 11 do HPV, relacionados principalmente às verrugas anogenitais, e os tipos 16 e 18, associados a diferentes cânceres. O imunizante é uma das principais ferramentas para prevenir o câncer do colo do útero.
Uma vida dedicada à ciência
Luisa nasceu em Como, na Itália, e chegou ao Brasil com a família aos cinco anos de idade. Formou-se em Ciências Biológicas e fez doutorado na Universidade de São Paulo (USP). Ao longo da carreira, também passou por instituições de pesquisa no Reino Unido, Estados Unidos e Singapura.
Atualmente, ela é professora da Faculdade de Medicina da USP e chefe do Laboratório de Inovação em Câncer do Centro de Investigação Translacional em Oncologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Em fevereiro deste ano, a cientista também recebeu o Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher, na área de Ciências Biológicas e da Saúde.
Apesar dos reconhecimentos, Luisa continua olhando para o objetivo que motivou boa parte de suas pesquisas: ampliar a vacinação e fazer desaparecer uma doença que hoje pode ser prevenida.
Ao falar sobre o futuro, ela é categórica: “O câncer do colo do útero vai ser eliminado”, concluiu.
Luisa Lina Villa, de 75 anos, é referência mundial nos estudos sobre HPV e ajudou no desenvolvimento da vacina contra o vírus. Foto: Reprodução/ICESP




