Alerta|Rodolfo Andrade ressalta que o uso de canetas emagrecedoras deve ser criterioso (Foto: Ocinei Trindade)
O uso de canetas emagrecedoras tem crescido no Brasil, impulsionado pela busca por perda de peso rápida. No entanto, especialistas alertam que o uso desses medicamentos sem a devida orientação — e, principalmente, sem informar os profissionais de saúde — pode comprometer exames e colocar pacientes em risco. O médico endoscopista e gastroenterologista Rodolfo Andrade atua no Hospital Dr. Beda e no Beda Prime. Ele chama atenção para os efeitos dessas medicações no sistema digestivo e suas implicações clínicas.
Todas as canetas emagrecedoras, que são os análogos do GLP-1 (medicamentos usados para tratar diabetes tipo 2 e obesidade), diminuem o esvaziamento gástrico, fazendo com que o alimento permaneça mais tempo no estômago. Segundo Rodolfo Andrade, essa ação pode provocar sintomas como náusea e constipação. O principal risco, de acordo com o especialista, está na realização de exames sem a suspensão prévia do medicamento e sem a devida comunicação.
“Há risco de broncoaspiração durante a endoscopia, já que o estômago pode ainda conter alimento. Quando a gente insufla o estômago durante o exame, se houver comida, ela pode retornar, trazendo risco ao paciente. Para evitar complicações, o médico reforça a importância de seguir protocolos. Aqui no Beda, orientamos a suspensão do uso por 14 dias antes da endoscopia ou colonoscopia”, afirma. Em muitos casos, segundo ele, é possível apenas “pular uma dose” para não comprometer o tratamento.
Na prática clínica, a falta de informação por parte dos pacientes já trouxe dificuldades. “Já tivemos casos em que o paciente não informou o uso da caneta e, no momento do exame, ainda havia alimento no estômago. Tivemos que interromper o procedimento e só depois ele relatou o uso”, conta.
Além disso, o preparo para a colonoscopia também pode ser prejudicado. “Como o intestino fica mais lento, o preparo pode não ser eficaz, comprometendo o resultado do exame”, destaca. Embora reconheça os benefícios no controle de peso, Rodolfo Andrade ressalta que o uso de canetas emagrecedoras deve ser criterioso:
“São medicações que, quando indicadas corretamente, ajudam muito o paciente a perder peso, mas precisam estar associadas à dieta e ao acompanhamento profissional”, pontua. Entre os efeitos colaterais, ele cita desde sintomas mais comuns até situações mais graves. “O retardamento do esvaziamento gástrico pode causar náusea, e há relatos de pancreatite associados ao uso. Também vemos casos de constipação, muitas vezes ligados à baixa ingestão de fibras e água”, explica.
O especialista também demonstra preocupação com o uso indiscriminado e a compra irregular desses medicamentos. “Muitas pessoas adquirem essas canetas sem registro ou fiscalização, inclusive por importação clandestina. Não se sabe como foram armazenadas, e são medicações que exigem refrigeração”, alerta.
Acompanhamento médico
Rodolfo Andrade reforça que o acompanhamento médico é indispensável. “Não é apenas uma medicação para emagrecer. Ela interfere no funcionamento do organismo e exige monitoramento com exames laboratoriais, como avaliação do fígado e do pâncreas”, diz.
Para o médico, a busca por emagrecimento precisa ser feita com responsabilidade e, quando houver necessidade de exames de endoscopia, o paciente não deve deixar de informar que utiliza canetas emagrecedoras, para garantir procedimentos seguros. “A saúde deve estar sempre acima de qualquer resultado estético. O uso dessas medicações precisa ser seguro e orientado”, conclui.
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