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Tecnologia da USP consegue repigmentar pele com vitiligo em 15 dias, em testes com animais

Por Guilherme
Por Guilherme

Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) conseguiu repigmentar a pele com vitiligo em testes realizados com camundongos. Os animais receberam o tratamento durante 15 dias e apresentaram resultados considerados promissores pela equipe.

A pesquisa, publicada no Jornal da USP, é desenvolvida na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP) e faz parte do trabalho de doutorado da farmacêutica Ana Vitória Pupo Silvestrini, orientada pela professora Maria Vitória Lopes Badra Bentley.

O tratamento experimental usa nanopartículas para levar diretamente à pele uma combinação de piperina e moléculas de RNA capazes de interferir em mecanismos envolvidos no desenvolvimento do vitiligo. Os resultados específicos dos testes em animais ainda não foram publicados em artigo científico e o tratamento não está disponível para pacientes, mas os pesquisadores querem agora avançar para estudos em seres humanos.

Como funciona

O vitiligo é a doença autoimune que Michael Jackson tinha. Ela afeta entre 0,5% e 2% da população mundial, o que corresponde a cerca de 95 milhões de pessoas. A condição faz as células responsáveis pela pigmentação da pele, chamadas melanócitos, serem atacadas pelo próprio sistema imunológico.

Por isso, a equipe da USP decidiu tentar atacar a doença por diferentes caminhos ao mesmo tempo. As nanopartículas desenvolvidas pelos pesquisadores carregam RNAs de silenciamento, pequenas moléculas capazes de reduzir a atividade de alvos envolvidos na resposta imunológica que contribui para a destruição dos melanócitos.

Elas também carregam piperina, uma substância associada ao estímulo da produção de melanina. As nanopartículas funcionam como uma espécie de veículo. Isso é importante porque as moléculas de RNA, quando aplicadas sozinhas, têm dificuldade para atravessar a barreira da pele e podem ser rapidamente degradadas.

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15 dias de tratamento

Para testar a tecnologia, os pesquisadores induziram o desenvolvimento de vitiligo nos camundongos. Depois, os animais receberam durante 15 dias consecutivos as nanopartículas contendo o medicamento e os RNAs de silenciamento.

Segundo a USP, os resultados mostraram que o tratamento conseguiu diminuir a resposta imunológica responsável pelo ataque às células produtoras de melanina, restaurar mecanismos de autorregulação e promover a repigmentação da pele.

A tecnologia agora é alvo de pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Próximo passo: testes em humanos

Apesar do resultado animador, os próprios pesquisadores fazem questão de pedir cautela porque o tratamento foi testado até agora em um modelo animal e isso não significa que terá o mesmo resultado em pessoas.

A professora Maria Vitória Bentley explicou ao Jornal da USP que a resposta humana pode ser diferente, embora os primeiros resultados indiquem que vale a pena continuar desenvolvendo a tecnologia.

O próximo passo pretendido pela equipe é justamente chegar aos testes em seres humanos.

Tratamento pode ter custo acessível

Outro objetivo dos pesquisadores é desenvolver uma tecnologia que possa ser acessível caso, no futuro, ela se mostre segura e eficaz para pacientes.

Segundo Maria Vitória Bentley, a base utilizada para fabricar as nanopartículas é relativamente barata e a piperina empregada no tratamento é sintética.

O componente que ainda encarece a tecnologia são as moléculas de RNA de silenciamento.

A equipe também publicou, em maio de 2026, uma revisão científica na revista Clinical Reviews in Allergy & Immunology sobre novas estratégias para o tratamento do vitiligo.

O artigo mostra que abordagens que combinam nanotecnologia, modulação do sistema imunológico e estímulo à regeneração dos melanócitos estão entre os caminhos estudados para conseguir tratamentos mais direcionados e duradouros.

Pesquisadores da USP desenvolveram nanopartículas que conseguiram reduzir a resposta imunológica ligada ao vitiligo e estimular a volta da pigmentação em testes com camundongos em 15 dias. – Foto: James Heilman, MD/Wikimedia Commons

*Todas as notícias são retiradas de fonte de sites conforme informado na última linha “apareceu primeiro em …”

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