O avanço da inteligência artificial (IA) pode levar a um cenário em que robôs superem o número de trabalhadores humanos nas próximas décadas. A projeção foi apresentada por Rob Garlick, ex-chefe de inovação, tecnologia e futuro do trabalho da Citi, durante entrevista ao programa Squawk Box Europe, da CNBC, na segunda-feira (23).
Segundo Garlick, a combinação entre pressão por lucratividade e progresso tecnológico tende a acelerar a substituição de pessoas por sistemas automatizados. Ele afirmou que empresas vêm priorizando margens de lucro e que, nesse contexto, a IA se torna economicamente mais atraente do que a força de trabalho humana.
Projeções indicam crescimento acelerado em robôs
De acordo com um relatório de 2024 do Citi liderado por Garlick, o número de robôs com IA — que inclui humanoides, robôs domésticos de limpeza e veículos autônomos — deve chegar a 1,3 bilhão até 2035. A estimativa aponta ainda para um salto superior a 4 bilhões até 2050.
Garlick declarou que, ao longo das próximas décadas, haverá mais “robôs em movimento” do que pessoas empregadas. Ele acrescentou que, além dos equipamentos físicos, a disseminação de pequenos agentes de software deve ampliar ainda mais esse crescimento.
O relatório também analisou o tempo necessário para que um robô compense financeiramente seu custo inicial ao substituir um trabalhador. Um equipamento de US$ 15 mil, por exemplo, pode atingir o ponto de equilíbrio em 3,8 semanas ao substituir um posto de US$ 41 por hora, ou em 21,6 semanas para um salário de US$ 7,25 por hora. Já um robô de US$ 35 mil teria retorno em 8,9 semanas considerando remuneração de US$ 41 por hora.
“Você já pode comprar um humanoide hoje, o que gera um período de retorno inferior a 10 semanas em comparação com trabalhadores humanos”, afirmou Garlick à CNBC. “Humanos não conseguem competir com base nisso.”
Agentes de IA ganham espaço nas empresas
Além dos robôs físicos, os chamados agentes de IA também vêm sendo incorporados às estratégias corporativas. Relatório Work Trend Index da Microsoft mostrou que 80% dos líderes esperam integrar amplamente agentes de IA em suas estratégias nos próximos 12 a 18 meses. Esses agentes são programas capazes de tomar decisões e executar tarefas com pouca supervisão humana.
Na McKinsey & Company, o sócio-diretor global Bob Sternfels afirmou, em entrevista à Harvard Business Review, que a empresa emprega atualmente 20 mil agentes ao lado de 40 mil funcionários humanos. Um ano antes, eram 3 mil agentes. A previsão é que, em 18 meses, haja paridade entre pessoas e sistemas automatizados.
Durante o encontro anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, no mês passado, o CEO da Tesla, Elon Musk, afirmou que a IA provavelmente superará a inteligência humana até o fim deste ano e que, em um cenário favorável, haverá mais robôs do que pessoas, ampliando a oferta de bens e serviços.
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Impactos no mercado de trabalho
O debate ocorre em meio a cortes de vagas associados à adoção de IA. Empresas como Amazon, Salesforce, Accenture, Heineken e Lufthansa citaram a tecnologia como parte das razões para eliminar milhares de postos.
A diretora-gerente do International Monetary Fund, Kristalina Georgieva, afirmou à CNBC, em janeiro, que a IA está atingindo o mercado de trabalho “como um tsunami” e alertou que a maioria dos países e empresas não está preparada.
Nos Estados Unidos, a IA esteve relacionada a quase 55 mil demissões em 2025, segundo dados de dezembro da consultoria Challenger, Gray & Christmas.
Por outro lado, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, avalia que o chamado “boom da IA” poderá gerar salários de seis dígitos para profissionais envolvidos na construção de fábricas de chips e sistemas de IA, além de impulsionar ocupações técnicas como encanadores, eletricistas, trabalhadores da construção civil e da indústria do aço.
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