Ele chegou a ver um dia como engenheiro, mas correndo atrás de sua verdadeira vocação optou pela Educação Física. Formou-se, fez pós-graduação e com o empreendedorismo correndo em suas veias procurou um modelo de negócios conectado com a profissão.
Decidiu montar uma assessoria técnica para atletas, principalmente para os corredores de rua, um dos esportes mais praticados no mundo. Assim, juntamente com a esposa Kamila, Ricardo Cardoso em 2013 criou a RC Running, e hoje quase chegando aos 40 anos, mentora tecnicamente mais de 300 corredores em Campos.
Sua empresa prima pela excelência na assessoria de atletas em todos os níveis, principalmente quando o assunto é corrida de rua. Nesta entrevista Ricardo fala do desafio de assessorar neste ano mais uma etapa do J3 Run, em duas edições realizadas em 2025, Frisa que o evento já é referência de corrida de rua, alcançando um imenso sucesso em todos os sentidos – “ Diante disso, nossa responsabilidade aumenta, mas vamos vencer esse desafio”.
Como começou a sua carreira até chegar a empresa?
Foi corrida. Eu estudava no antigo Cefet, ex-Escola Técnica Federal e hoje Instituto Federal Fluminense. Todos os caminhos me levavam para a engenharia, mas descobri que minha vocação era a Educação Física e a partir daí corri atrás de tudo que se refere a ela.
E a empresa? Como nasceu?
Era o ano de 2013. Eu sempre tive essa coisa de empreender também. Decidi montar a RC especializada em assessoria técnica na minha área. Minha Esposa, Kamila também fez Educação Física e montamos o negócio juntos. Ela é minha esposa e sócia. É o braço direito da empresa quando o assunto é gestão e hoje com mais de 300 pessoas assessoradas, essa é uma tarefa em que é necessário ter preparo físico e mental.
Mas por que o foco na corrida de rua?
Eu me formei em 2010 e a partir daí eu comecei a correr de forma amadora e iniciei um roteiro de grandes competições, inclusive ultramaratonas. Foi, digamos assim, nesse corre que percebi a importância da assessoria e fui pesquisar sobre isso tecnicamente. Esse tipo de serviço já existia em São Paulo e no Rio. Adaptamos e trouxemos para Campos. Hoje a empresa tem sete profissionais altamente preparados e sete estagiários nesta área.
Então existe toda uma técnica para isso. Requer muito conhecimento não?
Sim. Eu fiz muitos cursos sobre corridas, em todos os níveis para poder montar a empresa, que é uma plataforma. Existe didática e pedagogia. Tudo aconteceu na hora certa, pois ganhei a experiência como corredor amador, participando de inúmeras provas. Então, a RC já nasceu com uma boa musculatura, mas também com didática e técnica, e nossos alunos percebem isso.
Como é que você, professor de Educação Física, com experiência também na personalização de exercícios, teve a idéia de criar esse modelo de empresa? Como nasceu esse modelo de empresa?
Na verdade, eu não criei e sim aperfeiçoei um modelo que já existia nos grandes centros, nas capitais, principalmente no Rio e São Paulo e em outros países. Eu fui estudar esse modelo. Estava fazendo pós em educação e treinando. Participava de provas como competidor e observei na corrida que esse modelo de atendimento na rua, ao ar livre, era interessante ter uma assessoria técnica. Você enviava o treinamento para os alunos e tinha um atendimento presencial antes das corridas. Esse modelo já era um grande sucesso no Rio e em São Paulo e a gente trouxe para cá em 2013. Avançamos muito e nesse período muita coisa mudou, foi aprimorada porque tudo é dinâmico, fazendo parte de um todo.
Cita um exemplo de mudança?
A tecnologia. Com ela temos a sincronização de relógio, que quase todos os alunos possuem. Com eles, podemos fazer um plano de corrida e ao mesmo tempo avaliar o desempenho de cada um. Posso citar mais uns 10 exemplos de tecnologia no nosso negócio. Nosso negócio, na verdade, é uma plataforma onde a gente consegue fazer a montagem e receber para analisar os treinamentos e com acompanhamento presencial.
Sua empresa vai assessorar e organizar a corrida do J3 Run, em sua terceira edição. A corrida do J3 já ganhou corpo, sendo conhecida no Estado?
A J3 Run Fest, que teve as duas primeiras etapas no ano passado, chegou com muita força, que é característica do grupo empresarial de vocês. Fez duas corridas muito grandes. Nós estivemos lá presentes, eu particularmente, com a minha equipe como treinador, não na parte de organização. Estamos chegando este ano para somar junto à diretoria e a organização da prova. E a prova vem com muita expectativa, porque as duas primeiras provas de 2025 foram muito grandes, se tornaram as duas maiores já realizadas na região. As provas já realizadas foram sucesso facilmente aferido pelo número de inscritos na nossa cidade. A nossa responsabilidade então é muito grande, pois é um evento indiscutivelmente vitorioso. Acho que todos os corredores da cidade, pelo que vimos nas duas primeiras etapas, estão com uma expectativa muito grande. A corrida vem com algumas novidades em relação às etapas do ano passado. O percurso, por exemplo, vai ter uma mudança… os corredores passarão pelas quatro principais pontes da cidade, dentro do percurso maior de 10 quilômetros. No percurso de 5 quilômetros, os corredores passarão por duas pontes. Teremos dentro desses percursos os pontos históricos do nosso município, como a Praça São Salvador, Câmara Municipal e outros lugares importantes da cidade.
Tem mais novidades?
Além do percurso, também teremos uma premiação em dinheiro, que é outra novidade. Essa premiação atrai um número maior de corredores, principalmente os de alto rendimento, ou seja, atletas de elite da nossa região e de outros estados. Essa premiação vai alcançar as duas categorias de distâncias, de 5 e 10 quilômetros. Isso coloca a prova no calendário regional e estadual, com status de corrida de elite entre os atletas, sem perder sua característica amadora que incentiva a prática esportiva, gerando inspiração e se mantendo como um evento de festival, no qual a saúde é o maior combustível.
Pelo ambiente que você conhece dessas corridas, já se pode prever a presença de atletas de alta performance nessa próxima corrida?
Sim, sem dúvida. Mas não podemos perder o foco de que 80 a 90% dos atletas são amadores. Eles não vivem do esporte, mas o esporte já faz parte da vida deles. Dentro desse grupo nós temos, mesmo entre amadores, atletas já avançados que participam há muitos anos de corrida e levam bem a sério. São atletas intermediários e também atletas bem iniciantes. Então, principalmente essas provas de entrada, o J3 Run vem paulatinamente aumentando o grau de dificuldade. Essa primeira distância sempre dá oportunidade para que atletas que estão começando na corrida, estão dando seus primeiros passos, possam vir para participar. A meta bem para breve é o J3 Run Fest se tornar uma prova nacional.
Correr hoje é o esporte mais democrático no Brasil?
Sim. Depende do formato que a gente vai entender a corrida. Calçar um tênis apropriado, independente do preço, e uma vestimenta leve para você iniciar uma caminhada e corrida, qualquer um pode fazer. É claro que conforme o atleta vai se aperfeiçoando nesse esporte, ele quer participar da tribo. Quando a gente fala a tribo, normalmente é quando o atleta começa a se enturmar, mesmo que seja um grupo que não seja assessorado, ele vai querer participar de muitas provas. Então, tem um custo embutido, mas depende até onde esse corredor pode ir. Nós temos atletas hoje aqui em Campos, por exemplo, na minha assessoria, que participam de muitas provas importantes. Locais como o oferecido pelo J3 com duas etapas no ano é a constatação de que é um esporte democrático, que todos querem praticar e à medida que avançam, buscam os calendários de outras competições estaduais, nacionais e até internacionais.
Você diria que já estamos no calendário?
Com toda certeza e o compromisso da nossa assessoria, como já disse, é avançar, é tornar o J3 Run uma corrida nacional. Faltam poucos passos para isso. O ambiente é propício, pois todos querem correr, mas com organização, atentos aos mínimos detalhes, como pontos de hidratação, plano de contingência e tudo que um evento esportivo precisa.
Tem idade para começar a correr?
Não tem idade, mas, como tudo, a gente tem que fazer uma avaliação, por exemplo, temos vários atletas mais 60, mais 70, hoje participando de corridas. Eu tenho atletas que fazem três ou quatro competições de extremo grau de dificuldade por ano. Temos atletas de 60, 65 e 70 mais, que nos procuram. Neste caso, cabe uma avaliação mais rigorosa. Mas eles bem assessorados terão todas as condições para correr de forma segura.
Misturar festa com corrida parece que é uma fórmula saudável e estimulante, não?
O entretenimento dentro do esporte é natural e ponto de incentivo. Todas as corridas de rua maiores, se a gente observar, estão fazendo nesse formato. Você vai na Maratona do Rio, você tem show, você tem os expositores no final da prova ali, as cervejarias estão lá, as grandes marcas estão lá, com vários tipos de serviços, de jogos, brincadeiras, música e cultura, pois é festival. Isso acontece com outros esportes no mundo todo. Temos que observar que é um evento para a família, no qual os avós, os pais, os filhos, os pets, todo participam e vamos sublinhar a corrida infantil, estimulando o esporte desde de cedo.
A corrida será no final de março, 22 de março, já no outono, fechando o verão. Um bom momento para correr?
É uma transição. Nós estamos agora num momento em que tem a maior reclamação desde dezembro dos corredores, que é o calor. Então, os corredores já vão estar no outono, mas ainda um pouco quente, mas é momento de desafios. Por isso, é necessário organizar bem e a gente chega para somar.
O post Ricardo Cardoso: vocação vira referência em corrida de rua apareceu primeiro em J3News.




