Ana Elisa Santos Silva tem apenas 21 anos e fez história nas eleições de 2026 como a mulher preta mais votada para Deputada Federal de Minas Gerais. Ela foi eleita pelo PT com 524.219 votos, pouquíssimos recursos e muito engajamento nas redes sociais, onde tem 3,4 milhões de seguidores no Instagram. Por isso, ela foi convidada para ajudar a modernizar e atingir os jovens nas redes sociais do presidente Lula, na campanha de reeleição. E Ana Elisa aceitou.
Ela já participou de reuniões com a equipe de comunicação digital da campanha presidencial, em Brasília. A mineira vai contribuir com estratégias para alcançar principalmente o público jovem nas redes. Ana participou de encontros com integrantes da campanha nos dias 6 e 7 de outubro e colocou a experiência como influenciadora digital à disposição da equipe.
“Me coloquei à disposição para ajudar a equipe de comunicação do presidente Lula”, disse Ana Elisa ao Poder360. E falou das perseguições que sofre: “É óbvio que eu temo pela minha vida, mas eu vivo um dia de cada vez, porque eu sei que eu sou o sonho mais sonhado da minha ancestralidade”, afirmou em entrevista à GloboNews.
Quem é Ana Elisa
Natural de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, Ana Elisa foi criada pela mãe, professora de português, e cresceu em contato com a educação e os movimentos sociais. Ainda criança, acompanhava a mãe em atividades sindicais, experiência que, segundo ela, ajudou a despertar o interesse pela política.
“A minha vida só foi melhor do que a da minha mãe, da minha avó, da minha bisa e de todos os meus ancestrais porque, quando eu nasci, Luiz Inácio Lula da Silva já era presidente da República. Talvez, para você, não mude nada se ele ganha ou perde. Mas quem tem uma família que nasceu às margens do Estado sabe o que ele trouxe para nós: a dignidade perdida desde a colonização”, escreveu Ana Elisa no perfil oficial dela no Instagram.
Antes de disputar a primeira eleição, estudava Direito e trabalhava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG). Ana Elisa também participa do tradicional Reinado mineiro, manifestação cultural e religiosa de raízes afro-brasileiras, e tem devoção a Santa Efigênia. Foi nas redes sociais que conquistou projeção nacional. Os vídeos sobre política, racismo, feminismo, educação e direitos sociais atraíram milhões de seguidores e ajudaram a ampliar a participação de jovens nos debates políticos. Filiada ao PT desde março de 2026, ela disputou a primeira eleição em outubro e conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados.
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Ameaças de morte e estupro
A vitória de Ana Elisa nas urnas veio acompanhada de ameaças de morte, estupro e ataques racistas. Na quinta-feira, 8, Ana Elisa emocionou a jornalista Flávia Oliveira durante uma entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, ao falar sobre o medo e a importância da conquista para as mulheres negras.
Durante a campanha, Ana Elisa recebeu mensagens com ameaças de morte e violência sexual. Um dos episódios ocorreu em 5 de setembro, quando um remetente que dizia integrar a organização supremacista branca Ku Klux Klan enviou um e-mail com ofensas racistas e ameaças de estupro.
A identidade do autor e a suposta ligação dele com o grupo não foram confirmadas. O caso foi denunciado à Polícia Civil. Os ataques continuaram depois da eleição e ganharam intensidade após o anúncio da participação dela na campanha de Lula.
Segundo a deputada eleita, foram divulgados na internet o endereço residencial, o telefone e documentos pessoais dela. O PT providenciou segurança para protegê-la em Minas Gerais. Nesta sexta-feira, 9, foi noticiado que a equipe de Ana Elisa desativou a conta dela no X, antigo Twitter, após novas ameaças. A deputada afirmou que chegava a receber mensagens ameaçadoras a cada dois minutos.
Entrevista emociona jornalista da GloboNews
Na quinta-feira, 8, Ana Elisa participou do programa Estúdio i, da GloboNews, apresentado por Andréia Sadi. Durante a entrevista, a comentarista Flávia Oliveira se emocionou e limpou as lágrimas várias vezes ao ouvir o relato da deputada eleita sobre as ameaças e a trajetória das mulheres negras no Brasil.
Ana Elisa reconheceu que sente medo, mas relacionou a conquista eleitoral à história das gerações anteriores de mulheres negras.
A deputada eleita também destacou a importância histórica da chegada de uma mulher negra à Câmara dos Deputados aos 21 anos.
O que ela defende
Ana Elisa pretende concentrar o mandato em educação, igualdade racial, direitos das mulheres e oportunidades para os jovens.
Entre as propostas apresentadas estão a ampliação da assistência estudantil, moradia universitária, transporte gratuito para estudantes e medidas para reduzir a evasão nas universidades.
Em entrevista à TV Brasil, ela explicou que muitos jovens conseguem entrar na faculdade, mas não têm condições financeiras de concluir os estudos. Ela também defende o fim da escala de trabalho 6×1, políticas de primeiro emprego e o fortalecimento dos direitos trabalhistas.
Juventude na política
Ana Elisa contestou a ideia de que os jovens brasileiros não se interessam por política: “As pessoas têm a percepção de que a nossa geração é desinteressada, não quer nada com a vida, que não gosta de política e, pelo contrário”, afirmou à GloboNews.
Segundo a deputada eleita, a experiência nas redes sociais mostrou que os jovens querem participar das discussões e compreender melhor as decisões que afetam o país e é isso que ela pretende ajudar a fazer na campanha digital do presidente Lula.
Em declarações à imprensa, ela defendeu ampliar o diálogo com eleitores que votaram em outros candidatos no primeiro turno e fortalecer a presença da campanha nas plataformas digitais.
A posse dela na Câmara dos Deputados está prevista para 1º de fevereiro de 2027.
A jovem deputada eleita Ana Elisa conquistou mais de 524 mil votos, já participou de reuniões com a campanha de Lula e emocionou jornalista da GloboNews ao falar das ameaças que recebeu. – Foto: reprodução/ BDF




