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Por que temos queixo? O que a ciência diz sobre esse acidente evolutivo

Característica única entre os primatas, o queixo humano sempre levantou dúvidas sobre a evolução da espécie. Agora, uma nova pesquisa indica que essa condição pode não ser uma adaptação, mas uma consequência de transformações na estrutura do crânio ao longo da evolução.

O estudo publicado na revista científica PLOS One, foi liderado por Noreen von Cramon-Taubadel, professora e chefe do departamento de antropologia da Universidade de Buffalo. O grupo analisou 532 crânios e mandíbulas de humanos modernos e de espécies extintas, comparando o formato da mandíbula ao longo da evolução. Isso possibilitou entender como o queixo se formou durante o desenvolvimento humano e como sua estrutura mudou ao longo do tempo.

Para quem tem pressa:

Pesquisadores analisaram centenas de crânios, do ancestral comum até o Homo sapiens, para entender como a face evoluiu;

Mudanças como rosto menor, dentes reduzidos e alterações na mandíbula foram moldadas pela seleção natural. O queixo, por outro lado, não mostrou sinais claros de evolução direta;

Isso indicou que a estrutura pode ter surgido como consequência dessas transformações no crânio, reforçando que nem toda característica humana tem uma função específica definida.

O queixo humano: uma característica única

Imagem: frank60 / Shutterstock.com

O queixo já foi estudado diversas vezes pela ciência. A tentativa de compreender para o que servia ou qual a condição de adaptação que levou à formação da característica eram algumas das perguntas que motivaram as pesquisas.

Nas tentativas de compreender a evolução, diversas hipóteses surgiram. Uma das mais antigas sugeria que a estrutura ajudaria a reforçar a mandíbula, oferecendo maior resistência durante a mastigação e reduzindo o impacto de forças mecânicas ao comer.

Outra teoria bastante discutida aponta que o queixo poderia ter relação com a fala, funcionando como um suporte para músculos e tecidos envolvidos na prática, já que outros “parentes próximos” na árvore evolutiva, como os chimpanzés ou espécies humanas extintas, não apresentam essa estrutura e habilidade.

Com a falta de conclusões concretas, o estudo de Noreen von Cramon-Taubadel seguiu uma linha contrária: e se o queixo não tiver uma utilização prática?

“O queixo evoluiu em grande parte por acidente e não por seleção direta, mas como um subproduto evolutivo resultante da seleção direta em outras partes do crânio”, afirmou a pesquisadora.

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A pesquisa apontou o queixo como um possível “acidente evolutivo”

(Imagem: Frame Stock Footage/Shutterstock)

No estudo, os cientistas se basearam no conceito de “spandrel”, termo usado na biologia evolutiva para descrever características que aparecem não por serem adaptativas, mas como consequência de outras mudanças no organismo. Em outras palavras, nem tudo o que existe no corpo humano foi selecionado por ter uma utilidade.

A observação de rostos e estruturas faciais de diversos períodos permitiu que a equipe comparasse o ritmo de transformação de diversas características, para identificar quais mudanças poderiam ser explicadas apenas por genética e quais indicavam ação direta da seleção natural.

Os resultados mostraram que várias alterações no crânio humano, como a redução da face, o encolhimento dos dentes e mudanças na estrutura da mandíbula, evoluíram de forma mais acelerada do que o esperado em um cenário “normal”. Isso indica que essas características se transformaram por uma necessidade de adaptação.

No entanto, quando o queixo foi analisado isoladamente, o padrão foi diferente e apenas uma parte das medidas relacionadas com a característica sugeria uma alteração necessária para a sobrevivência, enquanto a maioria parecia resultar de mudanças indiretas.

Isso indicou que a projeção do queixo pode ter emergido gradualmente como consequência dessas transformações mais amplas no crânio, e não como uma característica selecionada por si só.

Por fim, a pesquisadora Cramon-Taubadel sinalizou a importância do estudo para uma nova abordagem no estudo da evolução humana, levando em consideração o conceito de “spandrel“.

“Gerar evidências empíricas contra essa linha de raciocínio (de que tudo no corpo humano é uma adaptação direta e não se podem ter consequências indiretas) é um objetivo importante deste estudo e da antropologia biológica em geral. As descobertas reforçam a importância de avaliar a evolução das características físicas, levando em consideração a integração de traços”, finalizou.

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