Uma das maiores bandas da história, o Led Zeppelin contabilizou vendas de discos num patamar só comparável às dos Beatles. O grupo inglês de rock pesado encerrou as atividades em 1980, após a morte do baterista John Bonham. A memorável trajetória do quarteto inglês é relembrada no recém-lançado documentário “Becoming Led Zeppelin”, que está em cartaz no Brasil.
Após a tragédia que colocou fim à história do Zeppelin, choveram convites para a volta da banda. O desejado retorno aos palcos ocorreu cinco anos depois, durante o megafestival Live Aid. A enorme expectativa transformou-se em enorme frustração. A apresentação do Zeppelin naquela ocasião no John F. Kennedy Stadium durou apenas 22 minutos — o suficiente para se transformar em um dos maiores vexames de todos os tempos.
O sinal amarelo já deveria ter sido ligado com a escolha do substituto de Bonham na bateria — quem assumiu as baquetas foi Phil Collins, do Genesis (na ocasião, ele tocou ao lado de outro baterista). Apesar de ser um músico de primeira linha e de estar vivendo o auge de seu sucesso, Collins tinha um estilo bem distante da pegada do rock pesado do Zeppelin. Para piorar a situação, conforme ele conta em sua autobiografia, o substituto do lendário Bonham sequer havia ensaiado com os outros colegas antes de subir ao palco e chegou ao estádio em cima da hora da apresentação.
Grande nome da indústria pop da época, Collins havia sido escalado no mesmo dia para tocar na Inglaterra e nos Estados Unidos. Segundo o guitarrista Jimmy Page, Collins não sabia direito sequer as músicas e a performance dele foi a de alguém batendo sem noção na bateria, enquanto sorria durante a execução de Whole Lotta Love, um dos hits do Zeppelin. Confira aqui o vídeo com a apresentação completa:
Collins assumiu grande parte da culpa, mas é verdade também que Page e o cantor Robert Plant não ajudaram muito a evitar o vexame histórico. O vocalista mostrou dificuldades para alcançar algumas notas e o guitarrista estava claramente para lá de Bagdá, com um cigarro caindo pela boca. Ocorreram também vários problemas técnicos durante a apresentação e o saldo soou como o de um show de uma banda cover amadora.
O trauma da apresentação foi tão grande que o Zeppelin custou a se reunir de novo em cima de um palco. Isso só iria acontecer em 2007, no Celebration Day, na Inglaterra. Desta vez, a performance esteve à altura da história do grupo. No lugar de Phil Collins, quem estava na bateria era Jason, o filho de John Bonham.