Em uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (19), a NASA divulgou o aguardado relatório final do time de investigação do Programa Comercial de Tripulação sobre o voo de teste tripulado da Boeing CST-100 Starliner no ano passado, que terminou com a tripulação “presa” no espaço. O documento, concluído em novembro de 2025 após meses de análises, pinta um quadro de falhas interconectadas que vão muito além dos problemas técnicos já conhecidos. O resultado é que a empresa está proibida pela NASA de lançar a Starliner por hora.
“O Boeing Starliner enfrentou desafios ao longo de suas missões não tripuladas e, mais recentemente, na missão tripulada. Embora a Boeing tenha construído a Starliner, a NASA a aceitou e lançou dois astronautas ao espaço. As dificuldades técnicas encontradas durante a aproximação e acoplagem com a Estação Espacial Internacional foram muito evidentes”, declarou o administrador da NASA, Jared Isaacman.
O tom da agência, no entanto, foi além da descrição dos problemas. Isaacman enfatizou a necessidade de uma transparência radical: “Para empreender missões que mudam o mundo, devemos ser transparentes tanto sobre nossos sucessos quanto sobre nossas falhas. Temos que assumir nossos erros e garantir que eles nunca mais aconteçam”.
Missão ficou marcada por astronautas “presos” no espaço
A missão, lançada em 5 de junho de 2024 como o primeiro teste tripulado da Starliner, tinha previsão inicial de durar entre oito e 14 dias. No entanto, anomalias no sistema de propulsão identificadas enquanto a espaçonave já estava em órbita estenderam a estadia para 93 dias.
Após revisar os dados de voo e realizar testes em solo, a NASA tomou a decisão sem precedentes de trazer a cápsula de volta vazia, deixando os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams a bordo da ISS.
A Starliner pousou em setembro de 2024 no White Sands Space Harbor, no Novo México, enquanto a dupla retornou à Terra apenas em março de 2025, a bordo de uma cápsula Crew Dragon da SpaceX.
O veredito da investigação
A investigação, iniciada em fevereiro de 2025, identificou uma complexa interação de fatores: falhas combinadas de hardware, lacunas nos processos de qualificação, erros de liderança e uma quebra cultural que criaram condições de risco inconsistentes com os padrões de segurança da NASA para voos espaciais tripulados.
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“Além das questões técnicas, está claro que a NASA permitiu que os objetivos programáticos de ter dois provedores capazes de transportar astronautas influenciassem as decisões de engenharia e operacionais, especialmente durante e imediatamente após a missão”, admitiu Isaacman. “Estamos corrigindo esses erros.”
Como resultado, a agência classificou formalmente o teste como um acidente Tipo A — a categoria mais alta, reservada para incidentes com potencial significativo de catástrofe, mesmo que, neste caso, não tenha havido ferimentos e o controle tenha sido retomado antes da acoplagem.
Correções e futuro da Starliner em xeque
A NASA afirma que aceitará o relatório como final e está implementando ações corretivas para garantir que as lições aprendidas contribuam para a segurança de futuros voos da Starliner e de todos os programas da agência. A responsabilização da liderança foi citada como parte fundamental do processo.
A agência continuará trabalhando em estreita colaboração com a Boeing para entender e resolver completamente os desafios técnicos do veículo, incorporando as recomendações da investigação antes de autorizar um novo voo.
A mensagem final de Isaacman é bem clara: “Olhamos para frente para trabalhar com a Boeing enquanto ambas as organizações implementam ações corretivas e só retornamos a Starliner ao voo quando estiver pronta.”
Isso impacta diretamente os planos da empresa. A Boeing pretendia lançar a Starliner com carga em abril, como preparação para uma missão tripulada no fim do ano, que levaria astronautas para a ISS. Todo esse cronograma agora está em xeque e o futuro da Starliner cada dia mais incerto.
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