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“Legado para os próximos 50 anos”, telescópio brasileiro é referência global

Todas as sextas-feiras, ao vivo, a partir das 21h (horário de Brasília), vai ao ar o Programa Olhar Espacial, no canal do Olhar Digital no YouTube. O episódio mais recente foi dedicado a apresentar o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), uma das instituições mais importantes da ciência brasileira, e seu papel central na pesquisa astronômica, na formação de profissionais e no desenvolvimento de tecnologia de ponta no país.

Os convidados da noite foram o diretor do LNA, Wagner Corrade Barbosa, e o vice-diretor, Luciano Fraga, que falaram sobre a história, os bastidores e os planos futuros da instituição. Localizado no sul de Minas Gerais, o Observatório do Pico dos Dias abriga o maior telescópio em solo brasileiro e foi decisivo para estruturar a astronomia nacional. Corrade relembrou o cenário da época da fundação do laboratório: “Não tinha telescópio no Brasil pra gente poder ter os nossos próprios dados.”

O maior telescópio do Brasil, em Brasópolis (MG), foi fundamental no estudo do centauro Chiron. (Imagem: Clemens Darvin Gneiding / Observatório do Pico dos Dias/LNA)

Curiosidades sobre o LNA

O programa também resgatou histórias curiosas da implantação do observatório, como a aquisição de um dos telescópios menores em uma negociação inusitada. “Veio instrumento óptico da Alemanha e a gente devolveu o navio cheio de café”, contou Corrade, destacando o esforço e a criatividade envolvidos na construção da infraestrutura científica do país.

Além do trabalho em solo nacional, o episódio mostrou como o LNA viabiliza o acesso de pesquisadores brasileiros a grandes telescópios internacionais, como o SOAR, no Chile, e o Gemini, com espelhos de 8 metros. Segundo Luciano Fraga, a participação nesses consórcios mudou o patamar da ciência brasileira: “Poucos laboratórios no mundo são capazes de fazer um instrumento como esse”, afirmou ao comentar o desenvolvimento de instrumentação avançada com fibra óptica feita no Brasil.

Outro ponto central da conversa foi o caráter multiusuário e democrático do LNA. O observatório é aberto à comunidade científica, com projetos avaliados por mérito e possibilidade de observação remota, o que amplia o acesso de pesquisadores de todo o país. “Hoje em dia a gente oferece esse telescópio também em modo remoto. Isso facilita muito o acesso”, explicou Fraga.

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O futuro do Observatório do Pico dos Dias também esteve em destaque, com planos de modernização e robotização. A ideia é operar os telescópios em modo serviço, com sistemas automatizados que escolhem os melhores projetos para cada noite e reagem rapidamente a eventos inesperados, como supernovas. “Se explode uma supernova, o robô para tudo e observa”, resumiu Corrade, ao explicar o novo paradigma.

Por fim, os convidados ressaltaram que o investimento em astronomia gera retornos diretos para a sociedade, com tecnologias aplicadas em áreas como monitoramento ambiental e saúde. Para Corrade, o LNA vai muito além da pesquisa acadêmica: “O LNA realmente é uma joia brasileira”, afirmou, destacando o objetivo de deixar um legado científico e tecnológico para as próximas décadas.

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