Aconteceu, nesta terça-feira (24), o I Fórum da Mulher de Campos. O evento, promovido pelo Grupo IMNE, reuniu oito palestrantes de diferentes áreas no auditório do Hospital Dr. Beda. Mais de 100 mulheres, entre colaboradoras e convidadas, refletiram sobre temas ligados à saúde feminina, direito e segurança, combate à violência, além de mercado de trabalho e empreendedorismo. A diretora de Qualidade do Grupo IMNE, Gabriela Neves, e a diretora administrativa Martha Henriques participaram do evento, ao lado de outras gerentes e supervisoras da empresa.
Martha Henriques foi a primeira palestrante do encontro. Ela destacou o caráter simbólico do evento e a proposta de reflexão coletiva. “Esse primeiro fórum é um marco para a gente. A ideia foi reunir diferentes opiniões e posicionamentos, com profissionais de várias áreas, para refletirmos sobre a situação da mulher”, afirmou.
O I Fórum da Mulher de Campos contou com a participação de médicas que abordaram a importância dos cuidados com a saúde, exames preventivos, vacinação e menopausa, entre outros temas. Patrícia Chicharo, médica ginecologista obstetra, destacou a relevância do fórum para ampliar o debate sobre a saúde feminina. “A saúde da mulher é muito plural, e esse fórum é de extrema importância, especialmente neste momento de alerta para o câncer de colo de útero”, afirmou.
Ela também chamou atenção para a prevenção e os desafios no combate à doença. “É um câncer que tem vacina, mas ainda não foi erradicado. Precisamos entender por que isso acontece e fortalecer o rastreio”, ressaltou.
Mariah Bárbara, médica ginecologista, destacou a importância do debate sobre a menopausa e seus impactos. “Estamos falando de uma crise invisível, que tem afastado mulheres incríveis do mercado de trabalho, mas que pode ser tratada e contornada”, afirmou.
Ela também chamou atenção para os efeitos físicos e emocionais desse período. “Muitas mulheres, inclusive arrimo de família, estão sofrendo psicologicamente, com sintomas como esquecimentos e névoa mental, ligados a questões hormonais. É fundamental levar esses dados ao Ministério da Saúde e lutar para que o SUS ofereça esses tratamentos”, explicou.
Empreendedorismo e violência contra a mulher
Priscila Nogueira, empresária, destacou os desafios enfrentados pelas mulheres no ambiente empresarial. “A gente ainda vive um preconceito muito forte e, muitas vezes, a falta de autoridade por ser mulher em determinados meios”, afirmou.
Ela também ressaltou a importância da força feminina diante das dificuldades. “Mesmo com esses desafios, é importante mostrar às mulheres que existe força e que o sucesso pode vir depois das dificuldades”, disse.
A advogada e defensora pública Rita Bicudo destacou a importância do fórum diante do avanço da violência doméstica. “Esse é um tema muito relevante, que tem crescido de forma assustadora, e a nossa cidade não está fora dessa realidade. Campos está em quinto lugar no estado em casos de violência doméstica, e esses números continuam aumentando”, afirmou.
Ela também reforçou a necessidade de conscientização. “Precisamos conscientizar não só as mulheres, mas também os homens. É necessária uma desconstrução, inclusive na educação dos nossos filhos, para que possamos ter uma sociedade mais equilibrada e que a mulher seja verdadeiramente respeitada”, ressaltou.
A presidente da OAB Campos, Mariana Lontra Costa, destacou a importância do evento como instrumento de conscientização. “É uma iniciativa maravilhosa. Acredito que só por meio da informação a gente consegue avançar efetivamente”, afirmou.
Ela explicou que levou para o debate o tema da violência patrimonial e do regime de bens, contextualizando historicamente a questão. “Fazemos uma breve viagem ao passado, abordando o patriarcado e suas influências até hoje. A violência patrimonial foi tipificada na Lei Maria da Penha, em 2006, e é dentro desse contexto que trabalhamos”, ressaltou.
Saúde mental, genética e dúvidas
A médica psiquiatra Gabriela Dal Molin destacou a importância do fórum como espaço de troca e acolhimento. “É um prazer estar aqui representando as mulheres da nossa região. Quero esclarecer dúvidas sobre saúde mental, um tema de grande relevância nos dias de hoje”, afirmou.
Ela também ressaltou os desafios da rotina feminina. “Nós exercemos múltiplas funções e tarefas e, muitas vezes, precisamos de apoio e orientação. Esse é um momento de troca, para contribuir e ajudar a tirar dúvidas”, concluiu.
Patrícia Damasceno, bióloga geneticista, destacou a relevância do evento para a cidade e a ampliação do debate sobre saúde. “É muito importante para Campos ter o primeiro fórum das mulheres. Eu trouxe o tema da genética na saúde da mulher”, afirmou.
Ela também ressaltou que a genética vai além das doenças. “A gente vive a genética durante toda a nossa existência e, muitas vezes, nem sabe que tudo já está descrito no nosso DNA”, explicou.
Ao final das apresentações, as participantes do I Fórum da Mulher de Campos puderam fazer perguntas sobre os temas abordados. A jornalista Gabriela Lessa, mestre de cerimônias do evento, abriu espaço para a interação com o público.
O encontro foi encerrado com homenagens, distribuição de brindes e flores, além de um momento de confraternização entre as participantes.
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