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Estudo explica como buracos negros suprimem galáxias vizinhas

Astrônomos identificaram que buracos negros supermassivos ativos podem interferir não apenas em suas próprias galáxias, mas também em sistemas vizinhos a milhões de anos-luz de distância. O estudo, liderado por Yongda Zhu, da University of Arizona, analisou dados do James Webb Space Telescope e foi publicado em 3 de dezembro de 2025 na The Astrophysical Journal Letters.

A pesquisa investigou como esses objetos podem suprimir a formação de estrelas não só em suas galáxias hospedeiras, mas também em outras próximas. Para os cientistas, a “morte” de uma galáxia ocorre quando há interrupção significativa do nascimento de novas estrelas, processo essencial para sua evolução.

Ilustração de um buraco negro supermassivo ativo alimentando um quasar brilhante. (Imagem: NASA, ESA, Joseph Olmsted – STScI)

Efeito além da galáxia hospedeira

Buracos negros supermassivos, com massas que podem chegar a bilhões de vezes a do Sol, estão presentes no centro de grandes galáxias. Quando estão ativos, alimentam-se de gás e poeira por meio de um disco de acreção. O atrito intenso nesse disco gera temperaturas elevadas e emissão de radiação em diversas faixas do espectro eletromagnético.

Essa região turbulenta é conhecida como Núcleo Galáctico Ativo (AGN). Quando extremamente brilhante, pode ser observada como um quasar, fenômeno que pode superar o brilho combinado de todas as estrelas da galáxia hospedeira. Parte da matéria também é expelida em jatos que viajam a velocidades próximas à da luz e podem ultrapassar os limites da galáxia.

Segundo Zhu, a radiação intensa aquece ou dispersa o gás interestelar, impedindo que ele esfrie e colapse para formar novas estrelas. O pesquisador compara o fenômeno a um “predador faminto dominando o ecossistema”, sugerindo que as galáxias podem fazer parte de um “ecossistema galáctico” interligado.

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Observação do quasar J0100+2802

Para testar a hipótese, a equipe estudou o quasar J0100+2802, um dos mais brilhantes já registrados. Ele existia quando o universo tinha menos de 1 bilhão de anos e abriga um buraco negro com cerca de 12 bilhões de vezes a massa do Sol.

Com o auxílio do JWST, os cientistas buscaram sinais de oxigênio ionizado nas galáxias ao redor, indicador de formação estelar recente. O elemento apareceu em quantidade significativamente menor nas galáxias situadas a até 1 milhão de anos-luz do quasar, em comparação com aquelas além desse raio.

De acordo com Zhu, o calor e a radiação intensos fragmentam o hidrogênio molecular presente em nuvens interestelares, reduzindo seu potencial de formar estrelas. O estudo indica, pela primeira vez, que esse impacto ocorre em escala intergaláctica.

A equipe pretende investigar outros campos de quasares para verificar se o padrão se repete. A descoberta pode ampliar a compreensão sobre como galáxias interagiam no universo primitivo e qual foi o papel dos buracos negros supermassivos na evolução cósmica.

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