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Encontro com gigante pode desviar o caminho do cometa 3I/ATLAS

Um estudo indiano disponibilizado no servidor científico arXiv aponta que o cometa interestelar 3I/ATLAS poderá ter sua trajetória levemente alterada antes de deixar o Sistema Solar. O trabalho, ainda em fase de revisão, sugere que o objeto terá um encontro gravitacional crucial com um verdadeiro gigante, capaz de modificar seu caminho.

Descoberto em julho pelo Sistema de Alerta Final de Impacto Terrestre de Asteroides (ATLAS), o corpo celeste “forasteiro”, logo nas primeiras observações, chamou a atenção dos astrônomos por se mover rápido demais para ser um cometa comum do nosso sistema planetário – algo em torno de 58 km/s, uma velocidade típica de objetos vindos de fora dos domínios do Sol. Pouco depois, foi confirmado que se tratava do terceiro visitante interestelar já observado.

Cometa 3I/ATLAS fotografado pela sonda JUICE, da ESA. Crédito: ESA/Juice/JANUS

Antes dele, apenas dois objetos com origem externa haviam sido identificados no Sistema Solar: o enigmático asteroide 1I/’Oumuamua, em 2017, e o cometa 2I/Borisov, em 2019. Assim como ocorreu no caso do primeiro, surgiram especulações sem base científica sugerindo que o 3I/ATLAS poderia ser uma nave alienígena. No entanto, não há qualquer evidência que sustente essa hipótese.

Cometa interestelar é uma “janela” para outras regiões da Via Láctea

O principal interesse da comunidade científica está no fato de que cometas interestelares funcionam como “mensageiros” de outras partes da galáxia. Eles carregam informações químicas e físicas sobre os ambientes onde se formaram, oferecendo pistas sobre sistemas planetários distantes da nossa estrela.

Para entender melhor sua história, os pesquisadores Goldy Ahuja, do Laboratório de Pesquisas Físicas de Ahmedabad, e Shashikiran Ganesh, do Instituto Indiano de Tecnologia de Gandhinagar, modelaram a trajetória do cometa no passado e no futuro. O objetivo é descobrir de onde ele veio, por quais regiões da galáxia passou e quais forças moldaram seu percurso ao longo de bilhões de anos.

Ainda não há consenso sobre a origem exata do objeto. A hipótese mais aceita sugere que ele tenha surgido em uma estrela do chamado “disco espesso” da Via Láctea, região composta por estrelas mais antigas e com movimentos diferentes daqueles observados no disco fino, onde está o Sol.

Uma imagem profunda do cometa interestelar 3I/ATLAS capturada pelo Espectrógrafo Multi-Objeto Gemini (GMOS) no Gemini Norte , em Maunakea, Havaí. Crédito: Processamento de imagens: J. Miller e M. Rodriguez (Observatório Internacional Gemini/NSF NOIRLab), TA Rector (Universidade do Alasca em Anchorage/NSF NOIRLab), M. Zamani (NSF NOIRLab)

O astrofísico Chris Lintott, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, que não tem envolvimento com o estudo, explicou ao site IFLScience que o movimento vertical do cometa em relação ao plano galáctico é compatível com objetos associados ao disco espesso, o que reforça a possibilidade de que ele seja extremamente antigo.

Algumas simulações indicam que o 3I/ATLAS pode estar vagando sozinho pelo espaço há cerca de 10 bilhões de anos, sem se aproximar de outras estrelas nos últimos 10 milhões de anos. Se isso se confirmar, ele pode ter sido expulso de um sistema planetário ainda nas primeiras eras da galáxia.

Os cálculos também indicam que o cometa entrou no Sistema Solar vindo da direção da constelação de Sagitário e, após sua passagem, deverá seguir rumo à constelação de Gêmeos. Essas projeções se baseiam em cerca de 500 simulações estatísticas, que consideram pequenas variações nos dados orbitais.

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3I/ATLAS e Júpiter: um encontro decisivo

Antes de deixar o Sistema Solar, o 3I/ATLAS terá uma aproximação relevante com Júpiter. Por ser o maior planeta da nossa vizinhança cósmica, o gigante gasoso exerce uma forte influência gravitacional sobre objetos que passam por suas proximidades.

De acordo com o estudo, no dia 16 de março, o cometa cruzará a região próxima ao chamado raio de Hill do planeta – área que marca o limite onde sua gravidade predomina sobre a do Sol. Esse tipo de encontro é importante porque ajuda os cientistas a refinar cálculos orbitais e compreender melhor como grandes planetas interagem com visitantes vindos de fora do Sistema Solar.

Além da gravidade dos planetas, outros fatores podem influenciar o caminho do objeto. Jatos de gás liberados pelo aquecimento do Sol e a pressão da radiação solar também podem provocar acelerações sutis. Dependendo da intensidade desses efeitos, a trajetória futura pode sofrer variações adicionais.

Animação simula trajetória do cometa interestelar 3I/ATLAS pelo Sistema Solar. Crédito: TheSkyLive.com

Os pesquisadores destacam que novas observações serão fundamentais para refinar os cálculos. Existe ainda a possibilidade de acompanhamento pela sonda Juno, da NASA, que orbita Júpiter. A janela mais favorável para esse monitoramento deve ocorrer entre dos dias 9 e 22 deste mês.

Embora a alteração prevista na rota não seja dramática, o episódio representa uma oportunidade rara. O encontro entre um visitante interestelar e o maior planeta do Sistema Solar pode ajudar os cientistas a entender melhor tanto a dinâmica desses corpos errantes quanto os processos que moldam sistemas planetários em toda a galáxia.

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