A onda das canetas emagrecedoras está criando o chamado “efeito Mounjaro” e provocando mudanças no mundo. Já ouviu falar do rodízio Ozempic, ou rodízio Mounjaro? Restaurantes estão vendendo porções menores. Na Europa, supermercados estão com gôndolas especiais com produtos para quem está usando as canetas. E gigantes como a Nestlé, a Seara, a Danone, o McDonalds, e o KFC estão se movimentando para adaptar suas comidas e porções aos novos tempos. A tendência mundial chegou ao Brasil.
No Rio de Janeiro, em São Paulo e em Forteleza já tem restaurantes vendendo mini-rodízio, minihamburguer, minibebida e até minirrefeição, uma promoção com pratos menores e preços mais baixos, exatamente para atrair esse novo público que está tentando emagrecer. E por que isso? Porque depois de usar o ozempic, o mounjaro e o Wegoy aumenta a sensação de saciedade e as pessoas perdem a fome, comem menos e não querem pagar mais por isso.
Neste fim de semana, a convite do Só Notícia boa, dois chefs renomados de São Paulo e de Brasília se reuniram no restaurante Italianíssimo, na Asa Norte, na Capital Federal, justamente para discutir o futuro da gastronomia nessa fase das canetas emagrecedoras. Os dois concordaram que, da mesma forma que aconteceu quando surgiram as comidas veganas e vegetarianas, os restaurantes vão precisar ter a ala ozempic/moujaro no cardápio. E vai ter que ser rápido isso.
Comer menos e pagar menos
O chef Marcello Lopes contou que está se preparando para lançar um cardápio especial, baseado em estudo com em nutricionistas.
“Vamos ter que estudar com nutrólogos para saber o que realmente esse público necessita, entender os sabores que vão agradar mais, o que as pessoas podem comer e alterar o cardápio porque, às vezes, elas não saem de casa porque vão chegar no restaurante, comer pouco, pagar caro e não vão aproveitar da forma como deveria”, disse Marcello Lopes, do Italianíssimo e do Blend Boucherie.
Também preocupado em abraçar o público das canetas, o chef Stein, do Umbrella Gastronomia, de Limeira (SP), disse a onda das canetas é novo desafio para os especialistas em gastronomia: “O futuro não é sobre a renúncia, mas sobre a essência. Estamos nos preparando para desenvolver menus menores, com nutrientes densos e uma gastronomia de alta performance onde cada caloria precisa valer a experiência”, afirmou Stein.
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Gastando menos com comida
Os gigantes internacionais da alimentação estão reformulando os cardápios e ajustado o tamanho das embalagens para criar pratos com alto teor de proteína, com porção equilibrada e nutrição funcional, termos que a gente vai ouvir falar bastante daqui para a frente.
E não é porque eles são bonzinhos, não. É que a onda das canetas pesou no bolso das empresas. Nos Estados Unidos, pessoas que usam as canetas reduziram os gastos com alimentos em até 11% nos primeiros meses de tratamento, segundo a pesquisa da PricewaterhouveCoopers (PwC).
Elas diminuíram o consumo de refrigerantes, salgadinhos, alimentos altamente processados e passaram a procurar mais itens ricos em proteína, fibras e com menos açúcar. Além de estarem indo menos a restaurantes.
Mudança de hábitos
E tem outra pesquisa que mostra que Nos Estados Unidos, onde 10% da população faz uso do Ozempic, metade passou a sair menos para comer, e 63% reduziram o tamanho das porções. Os dados são de uma pesquisa da Bloomberg em parceria com o Morgan Stanley.
E essa tendência logo vai chegar aqui porque o Brasil é segundo país que mais pesquisa pelas palavras mounjaro e ozempic na busca do google. Só perde para os Estados Unidos. E a procura por esses tratamentos cresceu 88% em um ano aqui no país, segundo o ministério do desenvolvimento indústria e comércio.
O valor já passa de 1,6 bilhão de dólares em importação, mais do que itens como azeite de oliva e salmão.
O que são essas canetas emagrecedoras
Essas canetas são medicamentos injetáveis de uso subcutâneo, indicadas para tratamento de diabetes, obesidade e sobrepeso.
Elas funcionam imitando hormônios intestinais (análogos de GLP-1) que sinalizam ao cérebro a diminuição da fome e retardam o esvaziamento gástrico, exigindo prescrição médica e acompanhamento.
Em outras palavras, elas ajudam na redução do apetite e aumento da saciedade e provocam a redução do peso.
Os chefs Marcello Lopes (esq) e Wladimir Stein falando sobre mudanças que o efeito Mounjaro vai provocar nos restaurantes. – Foto: Lorena Fassina/SNB Os chefs com Rinaldo de Oliveira, CEO do Só Notícia Boa, que promoveu o encontro, em Brasília. – Foto: Lorena Fassina/SNB




