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Eclipse lunar total à vista! Saiba tudo sobre a “Lua de Sangue”

Conforme noticiado pelo Olhar Digital, esta terça-feira (3) traz um eclipse lunar total, que poderá ser visto por cerca de 3,3 bilhões de pessoas nas Américas, Ásia e Oceania. Esse fenômeno ocorre quando a sombra da Terra encobre completamente a Lua, fazendo o satélite adquirir um tom avermelhado, o que popularizou a expressão “Lua de Sangue”.

O evento terá duração total de 5 horas e 39 minutos, com 58 minutos de totalidade.

Sobre os eclipses lunares:

Um eclipse lunar ocorre quando a sombra da Terra “esconde” a Lua, que fica escura e, portanto, invisível no céu durante alguns minutos;

Isso acontece porque a Terra se posiciona exatamente entre a Lua e o Sol, fazendo com que a sombra do planeta seja projetada sobre o nosso satélite natural;

Existem três tipos de eclipse lunar: o total (com a Lua totalmente encoberta), o parcial (em que apenas parte dela é escondida pela sombra da Terra) e o penumbral (quando a sombra do planeta não é suficientemente escura para reduzir o brilho da Lua, que fica meio acinzentada).

“Lua de Sangue” fotografada em março de 2016 na cordilheira costeira da Califórnia, EUA. Crédito: Bob Wick/Bureau of Land Management California

Onde o eclipse será visível?

De acordo com a plataforma TimeAndDate, o eclipse será visto em sua totalidade (todas as fases: penumbral, parcial e total) principalmente no Oceano Pacífico, abrangendo também o leste da Ásia (como Japão e China), a Austrália, a Nova Zelândia e a porção oeste da América do Norte (oeste do Canadá e dos EUA), locais onde será possível ver a “Lua de Sangue” completa. 

O fenômeno pode ser acompanhado por cerca de 5,58 bilhões de pessoas, número que corresponde a quase 69% da população mundial e inclui não apenas quem vai observar a “Lua de Sangue”, mas também aqueles que terão acesso a apenas uma pequena sombra da Terra passando sobre a Lua. 

Na área vermelha no mapa estão as regiões onde a “Lua de Sangue” será visível. Crédito: Time and Date

A fase parcial do eclipse deverá ser visível para cerca de 5,17 bilhões de pessoas, o que corresponde a aproximadamente 64% dos habitantes do planeta. Já a fase total reúne um público menor: cerca de 3,34 bilhões de pessoas terão a chance de acompanhar pelo menos parte desse momento. A totalidade, por sua vez, poderá ser observada por 2,5 bilhões de pessoas, o que representa cerca de 31% da humanidade. 

Apenas uma parcela mínima terá a oportunidade de assistir ao eclipse do começo ao fim. Estima-se que 176 milhões de pessoas – cerca de 2% da população – poderão acompanhar todas as fases do evento. 

Vai dar para ver no Brasil?

No Brasil, a observação será limitada. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, será possível acompanhar o início da fase parcial por cerca de 10 minutos antes do amanhecer. Nesse período, já será perceptível a sombra avançando sobre a superfície lunar.

No Sul, Sudeste e Nordeste, o eclipse será basicamente penumbral. Isso significa que a mudança no brilho da Lua será discreta e pode passar despercebida. Ainda assim, o evento mantém importância científica e desperta interesse de curiosos e estudiosos.

Nesta imagem composta do eclipse lunar total de 8 de novembro de 2022 mostra a Lua em vários estágios ao longo de todo o evento. Créditos: Andrew McCarthy

Como assistir online?

Quem estiver fora das regiões privilegiadas, pode acompanhar o eclipse em tempo real pela internet, sem perder um detalhe sequer do evento. 

Time And Date 

O canal oficial da plataforma Time and Date no YouTube dará início à cobertura ao vivo do eclipse a partir das 6h30, com imagens em tempo real de pontos estratégicos como Los Angeles (EUA), a Austrália Ocidental e possivelmente outras localidades ao redor do mundo.

Além das imagens, a transmissão contará com comentários e explicações de especialistas, como a jornalista Anne Buckle e o astrofísico Graham Jones, pesquisador e comunicador científico com ampla experiência em eclipses e eventos celestes, que vão contextualizar cada fase do fenômeno e tirar dúvidas comuns sobre o evento.

Projeto Telescópio Virtual

O Projeto Telescópio Virtual, iniciativa de divulgação científica sediada em Manciano, na Itália, e fundada pelo astrofísico Gianluca Masi, também preparou uma transmissão especial, oferecendo uma visão global do eclipse a partir das 5h30. As imagens serão captadas por uma equipe de astrofotógrafos na Austrália, nos Estados Unidos e no Canadá, garantindo diferentes ângulos do espetáculo.

Observatório Griffith

Outra opção para acompanhar o fenômeno é a live do Observatório Griffith, em Los Angeles, no canal oficial da instituição no YouTube a partir das 5h37 da manhã.

Por estar na costa oeste dos Estados Unidos, o local tem uma posição privilegiada para registrar todas as etapas do evento, desde a fase penumbral, passando pela totalidade, até o momento em que a sombra da Terra começa a deixar o disco lunar. 

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Por que não tem eclipse todos os meses?

Eclipses lunares não acontecem todos os meses porque a órbita da Lua é inclinada em relação à da Terra ao redor do Sol. Para que o fenômeno ocorra, é preciso que o alinhamento aconteça em um ponto chamado “nodo”, quando Sol, Terra e Lua estão perfeitamente posicionados (ou “em sizígia”, como se diz na astronomia).

O que é a “Lua de Sangue”?

O apelido “Lua de Sangue” vem da coloração avermelhada que o satélite adquire durante um eclipse lunar total. Nessa fase, a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, bloqueando a luz solar direta. Ainda assim, parte da luz consegue contornar o planeta ao atravessar a atmosfera terrestre.

Nesse percurso, ocorre um fenômeno chamado dispersão: as cores de comprimento de onda mais curto, como azul e violeta, se espalham com mais facilidade. Já os tons de comprimento mais longo, como vermelho e laranja, atravessam a atmosfera com maior eficiência e acabam sendo projetados sobre a superfície lunar. É o mesmo processo que deixa o céu azul durante o dia e o pôr do sol avermelhado.

Durante um eclipse lunar, a Terra bloqueia a luz direta do Sol, mas parte dela atravessa a atmosfera terrestre. A luz azul se dispersa, enquanto a luz avermelhada alcança a Lua, deixando-a com tom vermelho. Imagem fora de escala. Crédito: Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA/Estúdio de Visualização Científica

Durante o eclipse, a Lua é iluminada apenas por essa luz filtrada, como se recebesse ao mesmo tempo o brilho de todos os amanheceres e entardeceres que acontecem ao redor da Terra. A intensidade do vermelho pode variar conforme as condições atmosféricas: poeira, poluição ou cinzas vulcânicas tendem a escurecer o tom. Apesar do nome dramático, trata-se de um fenômeno previsível e seguro de observar.

Com informações do Time And Date e da NASA.

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