Um campista fez parte da melhor Seleção Brasileira de todos os tempos. O lateral-direito Edevaldo, à época destaque do Internacional, foi convocado pelo técnico Telê Santana para a Copa do Mundo de 1982, na Espanha, sendo reserva do flamenguista Leandro. O time que encantou o mundo com muitos craques não conseguiu o título, mas ainda é lembrado por torcedores e profissionais do futebol, como o técnico Pep Guardiola.
“Foi uma Seleção que marcou minha vida. Fiz uma grande temporada em 1980, sendo campeão pelo Fluminense. No fim daquele ano, veio minha convocação. Joguei todos os amistosos e jogos das Eliminatórias de 1981, até que, graças a Deus, fui disputar o Mundial. Fizemos uma participação muito boa e chegamos às quartas-de-final, quando perdemos para a Itália. É normal, acontece”, relembra o ex-lateral.
Se o Mundial ainda está vivo na memória de Edevaldo, o seu início de carreira em Campos também está. É nascido em Guarus, mas ainda bebê atravessou o Rio Paraíba do Sul para morar no Centro. A proximidade com o Estádio Ary de Oliveira e Souza, o Aryzão, o levou ao Goytacaz. “Iniciei minha carreira no clube, como dente de leite e, depois, fui para o infanto-juvenil. Era garoto e, lá, fiz uma história muito bonita”.
Início de carreira no Fluminense
Na adolescência, com 14 anos, pegou a BR-101 para jogar no Fluminense, sendo mais um campista a brilhar com a camisa tricolor, assim como Didi, Pinheiro, Denilson, entre outros. Se profissionalizou na década de 1970, conquistando o Carioca de 1980. Apesar de ter jogado em outras equipes, a identificação com o clube das Laranjeiras segue até hoje. Atualmente, Edevaldo é supervisor técnico do sub-16 do Fluminense, tendo um importante papel na formação de novos jogadores em Xerém.
“Comecei a jogar no Goytacaz, mas o irmão do Pinheiro, que foi meu treinador na base do clube, viu um torneio que eu disputei e me trouxe para o Rio. Fui aprovado e seu Pinheiro me colocou logo de cara na equipe sub-20, em 1974. Foi um período muito valoroso, em que aprendi muito. Em agosto completei 22 anos de Fluminense”, conta Edevaldo.
Destaque para o preparo físico
A força física e a entrega nos treinos desde a época de base renderam um apelido: Edevaldo Cavalo. O campista chegou a fazer fotos para uma revista de esportes da época, ao lado de cavalos do Jockey Club Brasileiro, no Rio. Ele lembra que era sempre o primeiro nos testes físicos, além de correr muito e chutava forte. Em tom de brincadeira, em entrevista ao jornal O Dia, Edevaldo disse que o vigor físico era graças a uma tradição campista.
“A culpa é da cana-de-açúcar (risos). Meu pai me dava muito melaço com farinha, quando era pequeno. Só comia coisas saudáveis. Até hoje não como besteiras e ainda bato um bolão nas peladas. Mal não fez!”, disse ao jornal carioca em 2013.
Ainda como jogador, Edevaldo deixou o Fluminense rumo ao Internacional. Em 1982, foi campeão do Troféu Joan Gamper, quando o clube gaúcho bateu o Manchester City na decisão por 3 a 1, com gol do ex-lateral. Depois passou pelo Vasco, antes da sua experiência na Europa, quando vestiu a camisa do Porto. Em Portugal, foi campeão nacional em 1985/86.
“Também tive uma passagem muito boa pela Europa. O Porto foi campeão na temporada de 1985/86. Joguei com vários brasileiros na equipe, que tinha outros atletas fantásticos, como o argelino Madjer e Futre, que eram muito bons jogadores, além de Celso, Elói, Juary, Paulo Ricardo e Ralph. Eram seis brasileiros, porque Artur Jorge gostava muito. Então, para mim, foi realmente uma experiência maravilhosa.”
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