Um novo estudo, disponível no servidor de pré-impressão arXiv, onde aguarda revisão de outros especialistas, sugere que o cometa interestelar 3I/ATLAS pode ter surgido ao redor de uma estrela antiga, pobre em metais, localizada na região externa da Via Láctea.
A conclusão se baseia na análise da composição química do objeto durante sua passagem pelo Sistema Solar.
Em resumo:
Cometa 3I/ATLAS possivelmente vem de estrela antiga, pobre em metais;
Luz e proporções isotópicas revelam composição química do visitante;
Gases liberados pelo calor permitiram análise detalhada;
Objeto difere de cometas do Sistema Solar e corpos interestelares anteriores;
Dados ajudam a estudar material de outro sistema estelar.
Imagem composta em ultravioleta dos átomos de hidrogênio que circundam o cometa 3I/ATLAS. Crédito: NASA /Goddard/LASP/CU Boulder
Descoberto em julho do ano passado pelo Sistema de Alerta de Impacto Terrestre de Asteroides (ATLAS), que monitora corpos próximos da Terra, o cometa logo foi confirmado como tendo origem fora do Sistema Solar. Com isso, o 3I/ATLAS tornou-se apenas o terceiro objeto interestelar já detectado atravessando a nossa região.
Desde então, astrônomos do mundo todo têm aproveitado a breve passagem do cometa para coletar dados. Após atingir seu ponto de maior aproximação com o Sol, o objeto começou a se afastar e segue agora rumo à constelação de Gêmeos, deixando cada vez menos tempo para novas observações.
Não é fácil determinar a origem do 3I/ATLAS
Determinar a origem do cometa é um dos principais desafios dos cientistas. Para isso, pesquisadores liderados pela cientista Cyrielle Opitom, da Universidade de Edimburgo, Escócia, analisaram a luz emitida por ele. Esse tipo de estudo permite identificar elementos químicos presentes no objeto e inferir as condições do ambiente onde ele se formou.
Os cientistas focaram especialmente nas chamadas proporções isotópicas, que comparam diferentes versões de um mesmo elemento químico. Essas relações funcionam como “impressões digitais”, ajudando a revelar detalhes sobre temperatura, radiação e outros fatores presentes no local de origem do cometa.
Diferente dos visitantes interestelares anteriores, 1I/ʻOumuamua e 2I/Borisov, o 3I/ATLAS apresentou condições favoráveis para esse tipo de análise. Ao se aproximar do Sol, o calor fez com que seu gelo evaporasse, liberando gases que puderam ser estudados com mais precisão.
Cometa 3I/ATLAS fotografado pela sonda JUICE, da ESA. Crédito: ESA/Juice/JANUS
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Química do cometa é compatível com estrelas pobres em metal
Observações feitas com o Very Large Telescope (VLT), no Chile, revelaram proporções elevadas de isótopos de nitrogênio e carbono. Esses valores são diferentes dos encontrados em cometas do Sistema Solar e mais compatíveis com ambientes associados a estrelas antigas e com baixa concentração de elementos pesados.
Os resultados indicam que o cometa pode ter se originado no chamado disco externo da Via Láctea, uma região que abriga estrelas mais velhas, quase sem metalicidade. Ainda assim, análises da trajetória do objeto também permitem uma possível origem em outra região da galáxia, conhecida como disco fino.
Novos estudos devem ajudar a esclarecer essa dúvida nos próximos anos. Mesmo com a partida do 3I/ATLAS, os dados coletados continuam sendo analisados, oferecendo uma rara oportunidade de estudar material formado em outro sistema estelar e ampliar o entendimento sobre a história da galáxia.
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