No dia 25 de maio de 1967, ou seja, há exatos 59 anos, entrou nas paradas inglesas A Whiter Shade of Pale, do Proc0l Harum, iniciando a escalada que levaria a música ao primeiro lugar na Inglaterra. O sucesso se espalhou pelo resto do mundo e, com o passar do tempo, ele se transformou em um clássico atemporal. A inspiração veio de uma história que mistura o compositor clássico Bach a um comercial de cereais.
A estrutura do sucesso foi baseada na Ária da Quarta Corda, um dos trechos mais famosos dos Concertos de Brandenburg, de Bach. Não era incomum roqueiros dos anos 60 e 70 beberem nesse tipo de fonte (em alguns casos, eles simplesmente copiavam trechos inteiros das composições eruditas, sendo o Yes um dos campeões nessa técnica de carbono erudito). Gary Brooker (1945-2022), cantor do Procol Harum, no entanto, não era exatamente um fã de Bach e nunca tinha ouvido a Ária da Quarta Corda, até que escutou a música na TV, usada na ocasião como trilha sonora de uma propaganda de cereais.
Brooker usou em A Whiter Shade of Pale uma progressão harmônica ao estilo da criação do compositor erudito alemão. Isso fica ainda mais claro na introdução tocada no órgão. Confira aqui um vídeo que explora as semelhanças:
Além da inspiração bachiana, outro elemento que ajudou no sucesso da canção do Procol Harum foi a letra onírica e enigmática, uma criação de Keith Reid. Em uma entrevista para a revista Uncut, ele contou que a ideia surgiu a partir da frase do título (um tom mais branco de pálido, na tradução) e que as outras linhas foram surgindo da seguinte forma: “É como um quebra-cabeça em que você tem uma peça e depois encaixa outras”.
Esse quebra-cabeças viajandão ajudou a transformar a canção em um hino da geração hippie. Até hoje há debates intermináveis entre fãs sobre o real significado dos versos, que reúnem fandango, jogos de cartas e virgens vestais. Alguns defendem que a narrativa é sobre uma aventura sexual. Outros investem em uma interpretação psicológica, falando que a letra retrata o estado de melancolia.
Quando ocorreu o lançamento da música, o Procol Harum era uma banda britânica pouco conhecida. Como ocorre com outros grandes clássicos do rock, A Whiter Shade of Pale passou a ser citada por várias estrelas como uma fonte de inspiração (Ozzy Osbourne dizia que era sua música favorita) e recebeu inúmeras versões ao longo dos tempos. Uma das melhores é em clima de blues, na voz rouca de Joe Cocker:
A versão de Joe Cocker é ótima, mas não entrou para a história com a original. O Procol Harum se separou em 1977 e Gary Brooker seguiu até o fim da vida em carreira-solo.
Claro, A Whiter Shade of Pale era presença obrigatório no setlist dele.
We skipped the light fandango…
Quem nunca?




