Depois de oito meses desde que veio a público o escândalo do Banco Master, as investigações apontam tratar-se de gigantesco quadro de transgressões que envolve, entre outros, supostos crimes de gestão fraudulenta, ocultação de patrimônio, lavagem de dinheiro, obstrução de justiça, corrupção, coerção, intimidação e organização criminosa.
Daniel Vorcaro, como um grande vampiro, sugou dinheiro, via fraudes, de ‘tudo quanto foi jeito’. Segundo aponta a Polícia Federal, fez uso de milícias privadas para abafar, intimidar e ameaçar concorrentes, desafetos e jornalistas que denunciaram as irregularidades.
As investigações também revelam uma rede de influência conquistada mercê de todo tipo de extravagância. De jatinhos disponibilizados a jantares luxuosos, com direito a ‘festinhas’, daquelas bem privadas, com a presença de modelos estrangeiras para ‘recepcionar’ os convidados. Uma das mais comentadas aconteceu em Nova York e ganhou até nome: “Noite das astronautas”.
É muita coisa para não se enxergar que os vultosos mimos tinham a claríssima intenção de obter contrapartidas.
Feito o ‘resumão’ daquilo que todos já sabem e tem sido divulgado maciçamente pelos meios de comunicação, fica claro tratar-se do maior escândalo financeiro da história do Brasil e que alcança os 4 cantos da República.
Então, fica o impasse: com tamanha abrangência, envolvendo nomes de grande peso do mundo político, — que vai da ligação perigosa do senador e presidenciável, Flávio Bolsonaro, no caso ‘Dark Horse’, à relação bem mais que perigosa do também senador Jaques Wagner, então líder do governo Lula no Senado, suspeito de receber vantagens indevidas — passando, ainda, por gente graúda das esferas empresariais e financeiras, bem como supostas relações com familiares de ministros do STF, há de se perguntar se tamanha dimensão não acabe por suscitar que todos se salvem.
Os tentáculos
chegam a tantos
que poucos
querem ver o
caso solucionado
Por mais paradoxal que a hipótese pareça — e ela é um absurdo disparate —, a extensão do escândalo que reflete o nível de corrupção no Brasil pode, ao invés de se buscar justiça a todo custo, fazer emergir uma blindagem generalizada. Em outras palavras, uma proteção coletiva.
Trata-se de considerar que é justamente o tamanho da delinquência que o enfraquece. Por que puxar uma rede e ver o próprio nome aparecer? Melhor que se rompa.
Seria o Brasil reprisando um filme muitas vezes visto: são tantos os escândalos que a sociedade já se acostumou a não cobrar porque, a termo e a cabo, tudo vira pizza. E prevalece a máxima: “Se foi culpa de todo mundo, não é culpa de ninguém”.
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