Prevenção|Baixa covertura vacinal aumenta a preocupação com a reintrodução da doença (Fotos: Silvana Rust)
A médica infectologista Andreya Moreira, coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Dr. Beda, alerta para a alta capacidade de transmissão do sarampo e reforça a importância da vacinação para evitar novos casos. A Secretaria Municipal de Saúde também destaca a importância da imunização, mesmo sem registro da doença no município há vários anos. A cobertura vacinal em Campos está abaixo da meta de 95% recomendada pelo Ministério da Saúde.
“O sarampo é uma doença altamente infecciosa, com alta transmissibilidade. Uma pessoa pode passar a doença para até 18 pessoas não imunizadas. A doença pode ser prevenida por meio da vacina e, atualmente, há casos relacionados ao sarampo nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. A principal forma de prevenção é a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola e é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde”, diz Andreya.
A infectologista chama a atenção ainda para a cobertura vacinal abaixo da meta em alguns municípios brasileiros. “Em alguns casos, inclusive em crianças, a segunda dose da vacina contra o sarampo ainda não alcançou a meta desejada. Estamos em torno de 59,5%, sendo que precisamos alcançar a meta de 95%”, explica.
A médica destaca que a baixa cobertura deixa crianças e familiares mais vulneráveis à doença. “Se não houver vacinação, as crianças e os familiares vão estar desprotegidos, extremamente vulneráveis a apresentar tal doença. Pelo calendário de vacinação, a primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses e a segunda aos 15 meses de idade. Em locais onde há surtos, pode ser indicada uma dose adicional, conhecida como dose zero”, destaca a médica.
Pessoas de até 29 anos que não tomaram nenhuma dose da vacina devem receber duas doses. Para pessoas de 30 a 59 anos, é indicada uma dose, enquanto profissionais de saúde, independentemente da idade, precisam receber duas doses. A infectologista recomenda que a população verifique a situação vacinal e procure os serviços de saúde quando houver necessidade de atualização.
“Não espere o surto bater à nossa porta. Procure o seu cartão de vacina, o cartão de vacina de seu filho e de sua filha, para verificar se ele está atualizado. Vacinar é um ato de proteção, de amor e de responsabilidade”, afirma a médica infectologista.
Sarampo no Brasil e exterior
De acordo com o Ministério da Saúde, até a 37ª semana epidemiológica de 2026, o Brasil confirmou 42 casos de sarampo: 36 em São Paulo, cinco no Amazonas e um no Rio de Janeiro. Em São Paulo, 34 casos estão relacionados a um surto iniciado na 22ª semana, sendo 30 na capital. Em Tabatinga (AM), cinco dos 26 casos suspeitos foram confirmados.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até setembro, Estados Unidos, México, Canadá e Guatemala registraram milhares de casos: 3.471, 12.943, 1.119 e 33.746, respectivamente. México e Guatemala também registraram mortes pela doença, com 20 e 45 óbitos.
Campos
Campos não registra casos de sarampo há anos, mas a Secretaria Municipal de Saúde mantém a vigilância e reforça a vacinação. Em 2026, a cobertura entre crianças de 1 ano está em 86,64% para a primeira dose e 63,14% para a segunda, abaixo da meta de 95%. Cerca de 11 mil doses foram aplicadas no município.
A Secretaria alerta para o risco de reintrodução da doença e orienta a população a atualizar a caderneta de vacinação, especialmente antes de viagens para regiões com maior incidência de casos, como São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. “A orientação é verificar a caderneta de vacinação e completar o esquema recomendado”, diz a nota.
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