Campos dos Goytacazes está entre os primeiros municípios do Estado do Rio de Janeiro a implantar a Oferta de Cuidados Integrados (OCI) para o atendimento de casos relacionados ao câncer de mama pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa reúne, em um fluxo padronizado, consultas com mastologistas, exames de imagem e biópsias para pacientes com alterações suspeitas.
O serviço integra o programa “Campos Sempre Rosa”, criado em 2024 e desenvolvido junto ao Centro de Referência e Tratamento à Mulher (CRTM), em parceria com a Atenção Primária à Saúde. A proposta é facilitar a identificação de sinais de alerta e reduzir o tempo entre a suspeita, o diagnóstico e o início do tratamento.
Os números mostram o crescimento da assistência. Entre agosto e dezembro de 2024, foram realizados 845 atendimentos. Em 2025, o total chegou a 8.721. Já nos seis primeiros meses de 2026, o programa contabilizou 9.449 atendimentos, número superior ao registrado durante todo o ano anterior.
Segundo a mastologista e coordenadora do programa municipal, Maria Nagime, a agilidade no diagnóstico é um dos principais objetivos da estratégia.
“A importância deste trabalho reside na capacidade de diagnosticar a doença precocemente, o que aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento”, afirmou. Ela também destacou a capacitação contínua das equipes das Estratégias de Saúde da Família (ESF), envolvendo enfermeiros, médicos e profissionais administrativos.
Rastreamento começa na Atenção Primária
A proposta do programa é fortalecer o rastreamento do câncer de mama a partir das unidades de saúde. Conforme a orientação apresentada pela coordenação, mulheres sem sintomas devem iniciar o acompanhamento anual aos 40 anos. Para aquelas com histórico familiar da doença, a recomendação é começar aos 35 anos ou seguir a avaliação individualizada de um médico.
A orientação também vale para mulheres de qualquer faixa etária que apresentem alterações nas mamas. Nódulos, secreção pelo mamilo, mudanças no bico da mama ou alterações na pele devem ser investigados em uma Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF).
Caso sejam identificados sinais de alerta ou alterações em exames, a paciente é encaminhada ao CRTM para avaliação especializada.
Atendimento reúne consulta e exames
No modelo implantado pelo município, pacientes com indicação de avaliação prioritária têm acesso a atendimento especializado e, quando necessário, exames complementares e biópsias.
De acordo com Maria Nagime, a realização desses procedimentos de forma mais integrada pode reduzir o intervalo entre a identificação de uma alteração e a confirmação do diagnóstico, permitindo que o tratamento seja iniciado de maneira mais rápida quando houver confirmação da doença.
A mastologista Manuella Cruz Padrão também destaca a importância do atendimento especializado dentro desse fluxo. Segundo ela, o modelo estabelece uma ligação entre a Atenção Básica e a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacom), permitindo maior agilidade na investigação dos casos suspeitos.
Para a especialista, a proposta representa um avanço na assistência às mulheres de Campos e reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce durante todo o ano, e não apenas no período da campanha Outubro Rosa.
Fonte: Secom/PMCG
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