A Saab e a Embraer apresentaram nesta quarta-feira (25), em Gavião Peixoto (SP), o primeiro caça supersônico produzido no Brasil, o F-39E Gripen. A aeronave foi oficialmente batizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônia realizada na unidade da fabricante brasileira, marcando um novo estágio do programa iniciado há mais de uma década.
O evento simboliza a entrada do país em um grupo restrito de nações com capacidade de produzir aeronaves de combate de alta complexidade. Segundo o governo federal, trata-se de um avanço inédito na América Latina, impulsionado por um modelo de transferência de tecnologia e integração industrial.
Produção nacional e avanço tecnológico
A montagem do Gripen brasileiro foi concluída após mais de um ano de trabalho contínuo. Ao todo, 15 das 36 aeronaves adquiridas pelo Brasil serão finalizadas no país. Na Força Aérea Brasileira (FAB), o modelo recebe a designação F-39.
Mais do que a fabricação de componentes, o programa tem como foco a absorção de conhecimento estratégico. Ao longo do projeto, foram realizados 60 programas de transferência tecnológica, com a capacitação de 350 engenheiros e técnicos brasileiros, muitos deles treinados na Suécia.
Esse processo envolve áreas como integração de sistemas, softwares complexos e tecnologias de guerra eletrônica, consideradas centrais no desenvolvimento de aeronaves modernas.
Impacto econômico e geração de empregos
De acordo com a FAB, o programa já gerou mais de 2 mil empregos diretos e cerca de 10 mil indiretos, ao integrar empresas brasileiras à cadeia global do setor de defesa. A iniciativa também busca fortalecer a Base Industrial de Defesa (BID) e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.
O contrato prevê não apenas a aquisição das aeronaves, mas também a qualificação de profissionais e o desenvolvimento de competências locais. Para o governo, isso amplia a capacidade industrial do país e cria condições para novos projetos no setor.
Custos, cronograma e desafios
Desde 2014, o programa Gripen consumiu R$ 16,75 bilhões em valores corrigidos. O contrato original, atualizado, equivale a cerca de R$ 29,5 bilhões. Até o momento, 11 aeronaves foram entregues, o que representa 57% do orçamento inicial.
O projeto acumula oito anos de atraso em relação ao cronograma original, que previa a entrega completa até 2024. A estimativa mais recente indica que todas as unidades deverão estar operacionais apenas em 2032.
Os custos adicionais estão ligados a aditivos contratuais e ao desenvolvimento de uma nova geração do caça, com mudanças significativas em relação às versões anteriores.
Declarações destacam soberania e inovação
Durante o evento, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o investimento em tecnologia é estratégico para o país.
“Quem domina tecnologia domina o futuro”, disse. “A indústria de defesa é um seguro para a soberania nacional, além de vanguarda do desenvolvimento industrial”, completou.
O ministro da Defesa, José Múcio, destacou o impacto do programa na indústria nacional. Segundo ele, o acesso a tecnologias de ponta contribui para posicionar o Brasil como um polo regional.
“Ao investir em defesa, nossa indústria registra um marco de amadurecimento e competência”, afirmou.
Já o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno, classificou o momento como um divisor de águas. Segundo ele, a entrega do caça representa “a mais importante da história da aviação nacional” e consolida a passagem do planejamento para a execução.
Capacidades e operação do Gripen
O Gripen E pode atingir velocidade de até Mach 2 e operar a altitudes de até 16 mil metros. A aeronave conta com 10 pontos de armamento e capacidade de até 5,3 toneladas de carga bélica.
Um dos diferenciais está na fusão de dados, que permite integração com outras plataformas, como o avião-radar Embraer R-99. O modelo já começou a atuar na defesa aérea a partir da base de Anápolis (GO), área estratégica próxima a Brasília.
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Próximos passos e mercado externo
Além de atender à FAB, a produção em Gavião Peixoto também mira exportações. Um possível contrato com a Colômbia pode ampliar a produção no Brasil, enquanto negociações internas discutem a compra de um segundo lote para expandir a frota.
Durante a visita, Lula também conheceu o protótipo de eVTOL da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, voltado à mobilidade aérea urbana.
Com o avanço do programa, o Gripen deve substituir aeronaves antigas da FAB, como os F-5M e os AMX, consolidando a modernização da aviação de caça no país.
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