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Anomalia no interior de Marte faz planeta girar mais rápido e diminui duração dos dias

Cientistas já sabiam que Marte gira um pouco mais rápido a cada ano, mas até agora ninguém sabia por quê. Um novo estudo, publicado no Journal of Geophysical Research: Planets, sugere que a causa está abaixo da superfície: uma grande massa de rocha que se movimenta sob a crosta do planeta.

Isso não apenas pode explicar a rotação acelerada de Marte, como também mostra por que o planeta consegue reter calor geológico por muito mais tempo do que se imaginava – levando os pesquisadores a repensar como mundos rochosos pequenos esfriam e se tornam inativos.

Bart Root, professor assistente de exploração planetária na Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, e autor do estudo, explicou ao site LiveScience que a superfície de Marte é antiga e cheia de processos complexos, mas ainda pouco compreendidos. “Entender o interior nos ajuda a decifrar a história do planeta e do Sistema Solar”.

Uma imagem composta, capturada pela sonda Viking, do Monte Olimpo, em Marte – o vulcão e montanha mais altos do Sistema Solar. Crédito: NASA

Por dentro de Marte

Marte abriga alguns dos maiores vulcões e montanhas do sistema solar. Diferentemente da Terra, ele não possui placas tectônicas que movem a crosta e causam vulcões. Aqui, a lava antiga permanece onde cai, formando estruturas enormes ao longo do tempo. É assim que surgiu Tharsis, uma região vulcânica de seis mil quilômetros de extensão.

Em 2018, a NASA enviou a sonda InSight para estudar o interior de Marte. O equipamento mediu a espessura da crosta e ajudou a entender melhor como o planeta funciona por dentro. Com esses dados, Root e sua equipe fizeram simulações para descobrir que tipo de estrutura poderia criar a região vulcânica de Tharsis.

Os modelos indicaram a existência de uma pluma de material mais leve que a rocha ao redor, chamada de “anomalia de massa negativa”, localizada no manto sob Tharsis. Essa anomalia pode explicar por que a região é tão grande e cheia de vulcões, e ainda indica que Marte pode ter nova atividade vulcânica no futuro.

“A anomalia de massa negativa vai subir e atingir a litosfera de Marte, criando bolsas de material fundido que podem penetrar a crosta e gerar vulcões”, afirma Root. A litosfera é a camada externa rígida do planeta, com cerca de 500 km de espessura.

Uma pista para a rotação acelerada

Os cientistas também investigaram se a pluma de rocha quente poderia explicar a rotação mais rápida de Marte. Comparando dados das sondas Viking, da década de 1970, com os da InSight, perceberam que o dia em Marte diminui cerca de 70 microssegundos por ano. Ou seja, o planeta gira ligeiramente mais rápido com o tempo.

Mosaico digital do planalto de Tharsis, em Marte, revela o vulcão extinto Arsia Mons, a partir de imagens feitas pela sonda Viking 1 entre 1976 e 1980. Crédito: NASA/JPL/USGS

As simulações mostraram que o material menos denso sob Tharsis pode deslocar massa suficiente dentro de Marte para acelerar a rotação. Root compara o fenômeno a uma pessoa girando em uma cadeira com livros pesados: ao puxar os livros para dentro, a rotação acelera. “A pluma de massa negativa sobe, e algo mais pesado desce. Como está no equador, isso aproxima a massa pesada do eixo de rotação e faz Marte girar mais rápido”, explica.

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O que isso significa

Além de explicar mistérios antigos, o estudo ajuda a entender como planetas rochosos esfriam e se tornam inativos. Marte é menor que a Terra, e os cientistas sempre acharam que ele perderia calor rapidamente. Mas se ainda há energia suficiente para movimentar o manto, mundos menores podem se manter geologicamente ativos por mais tempo do que se pensava.

“Quero mostrar que Marte é mais interessante do que se supunha”, diz Root. O estudo revela que o Planeta Vermelho ainda guarda segredos sobre vulcões, calor interno e rotação, e pode nos ensinar muito sobre a vida e a evolução de planetas em geral.

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