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Antônio Nogueira: Fisioterapia Osteopata ganha corpo

Por Guilherme
Por Guilherme
Foto: Candida Vasconcellos

A osteopatia é uma abordagem de fisioterapia que busca o tratamento do corpo como um todo, focando não apenas nos sintomas, mas nas causas das dores e disfunções, avaliando não apenas o local da dor mas todo o corpo, promovendo assim um tratamento bem completo.

Essa especialidade tem ganhado corpo e musculatura, principalmente no momento em que todos estão percebendo a necessidade de fazer exercícios físicos em todos os níveis. Em Campos, o fisioterapeuta Antônio Nogueira é referência nesta área. Nesta entrevista, ele fala da importância da atividade física monitorada, com acompanhamento. Aborda ainda a longevidade, dores crônicas, traumas e dá um emocionante depoimento de sua luta contra o câncer, mostrando que venceu a doença.

A fisioterapia osteopata ganhou força nos últimos anos com prevenção, desde a febre da atividade física e a longevidade das pessoas. O senhor pode falar sobre isso?
A fisioterapia osteopata veio ganhando importância não só nessa parte da emergência relacionada aos acidentes, mas também e principalmente no que se refere as chamadas ‘dores crônicas’. Pacientes com fibromialgia, com hérnia discal, com lesões de tendinite e doenças articulares. Então a gente trabalha muito mais hoje com pacientes que têm dores crônicas, hérnia discais, entre outros, do que propriamente dito com acidente de trânsito. E a gente vem ganhando muita força na atividade física, porque é um trabalho também de prevenção, de preparação e tratamento de lesões. Então, se o paciente ainda não tiver lesão, a gente vai ajudá-lo numa manutenção melhor do seu corpo, para que ele possa fazer a sua atividade física bem preparado e com segurança com o fortalecimento das áreas mais propensas às lesões ou focar no caso de pós-lesão. A gente consegue trabalhar esse paciente nessa parte.

Sobre longevidade, para ter qualidade de vida na terceira idade tem que ter massa muscular e boa saúde óssea. Está certo?
A longevidade é um tema permanente na pauta. Todo o corpo está saudável, está livre, está com a sua vascularização correta, a sua parte de inervação, está com a sua parte de mobilidade articular, ele consegue ter uma maior longevidade. Manter o corpo assim é essencial para conseguir viver mais e com qualidade, pois a pessoa vai poder ter mobilidade para produzir, trabalhar, viajar e conseguir fazer todas as suas atividades. Esse trabalho de prevenção é essencial, e isso é ponto pacificado quando se quer ter longevidade com qualidade de vida.

Se tratando de atividade física, que tipo de prevenção a pessoa deve ter antes de iniciar um treinamento de impacto?
O que eu recomendo para todos é que ao começar qualquer tipo de atividade física, principalmente de impacto, é ter uma orientação profissional e começar fazendo a coisa certa. Então, sempre que começar, tem que se preparar para fazer aquela atividade corretamente. Não só um trabalho de prevenção, mas também um trabalho de fortalecimento adequado. É necessário fazer um trabalho de boa mobilidade, boa estabilização, bom fortalecimento, para a partir daí você conseguir fazer sua atividade física melhor sendo ela de impacto ou não principalmente no treinamento de impacto.

A partir dos 50 anos é necessário um acompanhamento específico para garantir, digamos assim, a ‘saúde dos ossos’?
Costumo dizer que não é só a partir dos 50, é para todas as idades. Temos que nos preparar para ficarmos idosos com saúde. Então é necessário fazer uma atividade física desde o início da vida, estar orientado sempre, em toda atividade, é de suma importância.

Me refiro aos que perderam muito tempo e vão começar a cuidar disso depois dos 50 anos.
Neste caso é necessário fazer um trabalho mais específico para ganho de massa muscular, para ganho de mobilidade. Trabalhar aquilo que não foi trabalhado. Então é necessário e muito importante fazermos um trabalho específico, de fortalecimento, mobilidade, de ganho de massa muscular, para que, se amanhã ou depois tivermos algum problema, trauma, algo desse tipo, a gente ter massa muscular para segurar. Então, é muito importante sim.

E a questão do trauma. Os acidentes de trânsito, principalmente de motocicletas, virou problema de saúde pública. Como o senhor avalia esse problema?
Com muita preocupação. Os acidentes de motocicletas aumentaram, principalmente a partir dos veículos elétricos. A estatística é mesmo assustadora. Então a osteopatia atua muito em um pós-trauma, principalmente quando ela alcança a coluna. A gente vai conseguir ajudar esse paciente com whiplash, que chamamos de ‘chicote’, que é quando ocorre um movimento brusco entre o pescoço e a coluna. Então, a gente vai conseguir atuar muito em lesões referentes à coluna. A recuperação é após uma avaliação médica, após exames. A gente vai ajudar esse paciente a melhorar sua capacidade de movimento da coluna vertebral. Com uma avaliação específica do corpo inteiro, avaliando não só a sua lesão, mas o corpo todo, a sua parte postural, de mobilidade das articulações, para poder a osteopatia, sim, devolver essa capacidade muscular e me articular desse paciente em questão.

E essa questão toda multidisciplinar na área de atividade física?
Na parte do treinamento físico, tenho um contato direto com outros profissionais que trabalham em conjunto comigo. Isso é necessário porque o paciente sai daqui com a dor, ele chega com a dor, e eu consigo trabalhar esse paciente no fortalecimento com direção. Cito como exemplo o tratamento da coluna vertebral, propriamente dito, é um tratamento específico. Tem que trabalhar a musculatura mais profunda. Então, a gente consegue pedir para o nosso colega da educação física fazer um trabalho bastante de mobilidade, de restauração muscular, de fortalecimento bem profundo, e junto com o colega da nutrição, passar aquela dieta específica, onde com maior nutrientes, ele poder ter melhor absorção desse treino para melhorar sua capacidade muscular. Com isso, vai melhorar sua lesão. Então, esse trabalho em conjunto é muito bom para a recuperação do paciente. A gente acelera essa recuperação através tanto da alimentação, atividade física, e também da estabilização da osteopatia.

Você passou por uma prova de fogo, vencendo um câncer, e parece que tudo isso mexeu muito com o senhor. O senhor pode não responder, mas dar um depoimento sobre essa experiência que venha a inspirar pessoas que estão lutando contra essa doença?
Há cinco anos eu descobri que eu tinha um câncer de reto, mas consegui a remissão. Foi um período difícil, em que graças à atividade física, pude ter uma força grande para resistir também na parte da capacidade muscular. E a gente conseguiu, graças a Deus, através de bons médicos, de uma boa conduta, vencer esse episódio da minha vida. No último dia 3, fiz uma comemoração com amigos, familiares, festejando a vida, a cura.

E o que eu deixo aqui de mensagem para as pessoas que estão atravessando isso é que a gente não pode perder a fé. É ter calma acima de tudo, tentar enxergar o melhor caminho. Sei que é difícil enxergar o melhor caminho nesse momento, porque tudo fica mais difícil, mais doloroso, mas se a gente tiver papai do céu, estiver cercado de amor, de carinho, cuidado, a gente tem calma para escolher os melhores profissionais e não desistir.

A doença tem alguns caminhos. Ou você recua e ela te pega ou você luta contra ela. Escolhi lutar e vencer. Infelizmente, perdi minha mãe em 2019, para o câncer. Ficou comigo dois anos, um mês e nove dias, eu cuidando dela, junto com meu pai, minha irmã, e eu falava muito com ela que se um dia eu tivesse essa doença eu iria vencer. E onde ela está, ela viu que eu consegui vencer, graças a Deus. E venci, sim, com perseverança, alegria, com pensamento positivo e com decisões corretas. Então, se você não tiver calma, a gente não chega. Mas o importante da doença é não desistir, é ter uma mente boa, saber que vai se curar. É difícil, o caminho é árduo, mas você tem que viver o processo para chegar no propósito. E o propósito da minha vida foi viver. Deus me deu só outra oportunidade de vida e eu não estou deixando passar.

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