“O Brasil não cabe no quintal de ninguém.” A frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos momentos de maior reação da plateia durante o discurso dele na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), em Nova York, nos Estados Unidos.
Os aplausos vieram em momentos em que o presidente falou sobre escravidão, os conflitos no Oriente Médio, soberania dos países e violência contra as mulheres.
Lula abriu o Debate Geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, seguindo a tradição mantida pelo Brasil desde 1955. Durante o pronunciamento, a fala dele foi interrompida quatro vezes por aplausos, além das manifestações protocolares no início e no fim do discurso.
Os quatro aplausos
O primeiro ocorreu quando Lula lembrou uma decisão recente da Assembleia Geral relacionada à escravidão. “Esta Assembleia corrigiu recentemente distorções históricas. Reconheceu o tráfico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade”, afirmou.
A segunda interrupção aconteceu durante o trecho sobre Gaza e a atuação de organismos internacionais. Lula criticou pressões contra o Tribunal Penal Internacional e saiu em defesa de Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados.
“A relatora especial da ONU, Francesca Albanese, não pode ser silenciada por dizer a verdade”, disse o presidente, novamente sob aplausos. Lula também defendeu a solução de dois Estados para israelenses e palestinos e afirmou que a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia torna essa possibilidade cada vez mais difícil.
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“Brasil não cabe no quintal de ninguém”
O terceiro momento de aplausos veio quando Lula passou a falar da América Latina e do Caribe.
Sem citar nominalmente os Estados Unidos, ele mencionou a proximidade da região com “a maior potência militar do mundo” e criticou o que chamou de recrudescimento de “tentações hegemônicas”. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou.
A plateia reagiu imediatamente com aplausos. Na sequência, Lula disse que o Brasil busca parceiros em uma agenda voltada ao desenvolvimento e defendeu maior integração entre os países da região, apesar de diferenças ideológicas.
Violência contra as mulheres
A quarta interrupção ocorreu já na parte do discurso dedicada às mulheres e ao mercado de trabalho.
Lula falou sobre a sobrecarga doméstica e afirmou que o país precisa avançar para que mulheres possam ocupar espaços de poder e participar do mercado de trabalho em condições de igualdade.
“Um país livre do feminicídio, onde nenhuma mulher, dentro ou fora de casa, viva sob a ameaça da violência. Essa é uma causa que o mundo todo precisa abraçar”, disse.
A declaração recebeu o quarto aplauso durante o pronunciamento.
Ao longo da fala, Lula também criticou a incapacidade da ONU de impedir guerras. Segundo ele, a organização atravessa seu momento mais crítico desde 2003 e precisa recuperar a capacidade de proteger populações vulneráveis, informou a Agência Brasil
Assista ao um trecho do discurso do presidente Lula na ONU:




