Fundada em 17 de junho de 1929, a Associação de Imprensa Campista (AIC) mantém uma trajetória ligada à história cultural, social e jornalística de Campos dos Goytacazes. Desde 23 de agosto de 1944, a entidade tem como sede um imóvel histórico na Rua Formosa, que atualmente permanece fechado devido a problemas estruturais, agravados por uma infestação de cupins que comprometeu parte do madeiramento e do telhado. Parte dessa história é mencionada na reportagem especial “Abandono põe sob ameaça patrimônio histórico de Campos” (leia aqui).
Sem recursos próprios para executar o restauro, a associação busca alternativas para preservar o patrimônio. Em entrevista ao J3News, o presidente da AIC, Wellington Cordeiro, relata as dificuldades enfrentadas pela entidade e alerta para os riscos que ameaçam não apenas o prédio da associação, mas outros imóveis históricos públicos e particulares do município.
O prédio foi fechado por conta de problemas estruturais. Há informações sobre a necessidade de reparos, orçamento, previsão de obras e reabertura?
Com a pandemia de Covid-19, o prédio ficou fechado por dois anos. Quando voltamos, descobri uma grande infestação de cupins no telhado. Na época, não tínhamos verbas e tive que custear a descupinização total do prédio e também a reposição de parte do telhado, que caiu pela ação da praga de cupins. Mesmo assim, achei necessário interditar provisoriamente o salão superior por conta dos riscos no madeiramento atingido pelos cupins.
Fizemos alguns orçamentos para o restauro, porém os valores são muito altos e, como disse, não possuímos recursos próprios. Tentei algumas alternativas, como a busca de verbas em instituições como o Ministério Público Estadual e o Ministério do Trabalho, que possuem recursos provenientes de indenizações que podem ser destinados a entidades sem fins lucrativos, como é o caso da AIC. Mas, infelizmente, essas iniciativas não foram adiante. Temos também um canal aberto com a Prefeitura de Campos, porém ainda sem uma definição.
Havia, no passado, o aluguel de algumas salas, porém sem muita estrutura. Eram espaços pequenos e com banheiro coletivo. Por esse motivo, os aluguéis tinham valores baixos e custeavam apenas o básico da manutenção do prédio, como despesas com serviços e limpeza. Com a piora na estrutura do prédio, esses inquilinos optaram por encerrar as parcerias.
Quantas pessoas integram a diretoria da Associação de Imprensa Campista? São oito diretores: presidente, Wellington Cordeiro; vice-presidente, Vitor Luiz Menezes Gomes; diretor administrativo, Maurício de Moura Caldas Xexéo; diretora financeira, Juliana Maciel; diretor de Cultura, Cássio Peixoto; diretora de Formação, Liliane Barreto; diretora de Comunicação, Patrícia Bueno; e diretora de Relacionamento Estudantil, Simone Rodrigues Barreto. Estamos tentando formar uma chapa para marcar a eleição para uma nova diretoria.
A AIC sempre organizou eventos no prédio histórico da Rua Formosa. O mais recente ocorreu na Academia Campista de Letras, durante a Semana da Imprensa. Quais são as principais atividades da AIC ao longo do ano e quais eventos poderia destacar?
O principal evento que podemos destacar é a proposta inicial e a curadoria do Festival Doces Palavras, que nasceu em 2015. Mantemos parceria também com a Bienal do Livro de Campos. Além disso, realizamos a Semana da Imprensa há 36 anos ininterruptos. As mais recentes edições foram realizadas no Centro Universitário Fluminense e na Academia Campista de Letras.
Quando o salão podia ser utilizado, emprestávamos o espaço para grupos de teatro realizarem ensaios, além de reuniões e eventos sem fins lucrativos. Realizávamos o Cine Jornalismo uma vez por mês e o Ballada Curta, que era um evento multicultural. Criamos o Coletivo de Prática Audiovisual e fazíamos palestras constantemente.
Como ação de interesse público, realizávamos entrevistas com os candidatos a prefeito de Campos nas eleições desde 2012. Com o fechamento do Jornal Monitor Campista, criamos a campanha Viva Monitor, que conquistou algumas vitórias, como a doação da marca e do acervo histórico para o município.
O que é importante destacar sobre a história da AIC e sua participação no cenário político, cultural e social da cidade?
Apesar das dificuldades, mantemos uma representatividade importante em entidades locais, como a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima; o Conselho Municipal de Cultura; o Conselho de Preservação do Patrimônio Arquitetônico Municipal; a Associação de Amigos de O Livro Verde; e o grupo Amigos do Parque Estadual da Lagoa do Açu, atualmente sem representante.
Para além de pensar na própria categoria, a AIC mantém uma prática de ação voltada para toda a comunidade, seja na realização de eventos culturais ou representando a população em entidades de diversos setores.
A situação da AIC não difere da de inúmeros patrimônios particulares e públicos no que se refere à manutenção de seus patrimônios históricos. Sem verbas, torna-se impossível manter um prédio histórico. A conta não fecha.
Faltou dizer que, recentemente, a porta precisou ser lacrada porque houve uma tentativa de arrombamento, quando quebraram os trincos e parte da porta.
A Associação de Imprensa Campista tem status de sindicato ou não? Quantos profissionais de comunicação da cidade estariam associados ou seriam atendidos pela AIC?
Justamente por não possuir caráter sindical, houve um esvaziamento de seu quadro de associados, somado a um desinteresse coletivo pela participação em entidades culturais de classe. A AIC se manteve ativa em uma época do chamado “jornalismo romântico”, quando os profissionais tinham tempo e disposição para estar presentes na vida da associação.
Em tempos de redes sociais, como avalia a participação de jornalistas na profissão e nas decisões acerca da profissão em Campos?
Em 1994, em uma assembleia histórica de jornalistas, foi fundado o Sindicato dos Profissionais em Comunicação Social do Norte e Noroeste Fluminense (Sicom), que encerrou suas atividades por conta de uma provocação jurídica do Sindicato do Rio de Janeiro. Com isso, a região passou a ficar desprestigiada em relação à representatividade sindical. Em tempos de redes sociais, a situação só piorou, com os desmandos do setor.
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Abandono põe sob ameaça patrimônio histórico de Campos – J3News
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