As pessoas precisam aprender desde cedo a reconhecer uma piada machista, identificar uma atitude de desrespeito contra meninas e perceber comportamentos que antes pareciam “normais” mas acabaram levando à violência que mata mulheres no Brasil. Esse é o aprendizado de mais de 100 mil estudantes das 134 escolas do Sesi-SP que participam de um programa contra o machismo e a misoginia.
Chamado Juventudes AntiMisoginia, o projeto funciona desde março de 2025 e envolve adolescentes em debates, campanhas e atividades sobre igualdade de gênero, respeito e violência contra mulheres. A proposta é discutir o assunto ainda na escola, antes que determinados comportamentos sejam levados para a vida adulta.
E um detalhe chama a atenção: a ideia nasceu dos próprios alunos. O programa foi inspirado em uma mobilização iniciada por estudantes da Escola Sesi de Regente Feijó, no interior de São Paulo, e depois foi ampliado para toda a rede estadual.
Alunos participam das decisões
Em vez de limitar o assunto a uma palestra ocasional, cada escola forma comitês com estudantes do 9º ano do ensino fundamental e do ensino médio.Cada turma escolhe três representantes: duas meninas e um menino. O grupo trabalha acompanhado por um professor ou professora responsável.
Os estudantes ajudam a organizar rodas de conversa, campanhas e outras ações dentro da escola. Professores também recebem orientações para levar as discussões às salas de aula durante o ano.
Embora os comitês sejam formados pelos alunos mais velhos, as atividades chegam a estudantes de outras idades. Em uma das ações mostradas pelo Sesi-SP, por exemplo, adolescentes do projeto participaram de uma atividade com crianças do 5º ano.
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Por que discutir machismo é tão importante
Os números ajudam a mostrar a importância desse trabalho.
O Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número desde que esse crime passou a ser registrado dessa forma no país, em 2015, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Isso significa que, em média, mais de quatro mulheres foram assassinadas por dia por razões relacionadas à condição de serem mulheres.
Desde março de 2015, quando entrou em vigor a legislação sobre feminicídio, ao menos 13.703 mulheres já foram vítimas desse tipo de crime no Brasil. E a violência continua sendo um problema em 2026. Somente entre janeiro e junho deste ano, o país registrou 741 feminicídios, de acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Houve uma pequena queda de 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 760 vítimas.
As tentativas também preocupam. Dados oficiais mostram que foram registradas 3.813 tentativas de feminicídio em 2025, uma média superior a dez mulheres atacadas por dia. A taxa desse tipo de crime mais que dobrou no país entre 2020 e 2025.
Aprender a identificar o machismo
Um dos objetivos desse programa escolar do SESI é justamente mostrar que a misoginia nem sempre aparece de forma explícita.
Comentários sobre meninas, brincadeiras ofensivas, tentativas de controlar comportamentos e ideias repetidas nas redes sociais podem ser tratados como normais entre adolescentes sem que eles percebam o problema.
O programa ganhou ainda mais visibilidade em julho deste ano, quando foi mostrado pelo Globo Repórter em uma edição sobre masculinidades e o crescimento de conteúdos ofensivos contra mulheres nas redes sociais. As gravações foram feitas na Escola Sesi Tatuapé, na capital paulista.
Meninos, aprendam. Meninas, denunciem!
Entre as escolas que ensinam jovens contra o machismo está o SESI Presidente Prudente/SP. – Foto SESI/Pres.Prudente




