Um idoso brasileiro com síndrome de Down completou 80 anos e acaba de entrar para o RankBrasil como o mais longevo do país. João César Melchiori, conhecido carinhosamente como Neno, nasceu em 30 de maio de 1946 e vive até hoje em São Manuel, no interior de São Paulo.
O reconhecimento foi concedido pelo RankBrasil – Livro dos Recordes Brasileiros, depois da análise de documentos civis e declarações médicas que confirmam a data de nascimento e a síndrome de Down. Neno comemorou os 80 anos em 30 de maio de 2026, cercado pela família e por amigos.
E o Neno quebra as estatíscas. Atualmente, a expectativa média de vida de uma pessoa com síndrome de Down vai de 60 a 65 anos e ele completou 80.
Festa do jeito que Neno queria
A família preparou a comemoração seguindo os pedidos do aniversariante. Neno estava radiante. Dançou, aproveitou a música e fez questão de circular pela festa para cumprimentar os convidados mais de uma vez.
O gesto combina com a personalidade dele. A família conta que o idoso gosta de apertar a mão, dar abraços fortes e até beijar a mão das pessoas de quem gosta como uma forma de demonstrar carinho e gratidão.
Para os familiares, o título recebido aos 80 anos celebra uma vida construída com acolhimento, cuidado e respeito.
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Infância no sítio
Neno nasceu em uma época em que havia muito menos informação sobre a síndrome de Down e forte preconceito contra pessoas com deficiência. A infância dele foi vivida no sítio da família, no Bairro da Pedreira, em São Manuel. Filho de João Melchiori e Rosa Dell’Acqua, ele cresceu próximo à lavoura de café e acompanhava as atividades rurais dentro das possibilidades dele.
Neno não chegou a frequentar a escola formal. Segundo a família, a vida no sítio e a grande proteção dos pais contribuíram para isso. Por outro lado, ele sempre participou da vida familiar e comunitária. Ia a missas, festas e encontros acompanhado dos parentes.
Depois da morte dos pais, as irmãs assumiram os cuidados. Atualmente, Neno mora com a irmã e curadora, Hermínia Angela Melchiori Francisco, e outros familiares. Ele também recebe os cuidados diários de Marilsa, responsável pelas refeições e medicações.
Paixão pelo rádio
E Neno tem uma rotina cheia de pequenos prazeres. Uma das paixões dele é o rádio. Na casa da família, há um espaço no porão que ele chama de “escritório”. É ali que passa parte do tempo ouvindo os programas preferidos, acompanhando os locutores, conversando e cantando.
Entre os artistas de que mais gosta estão Tonico & Tinoco e Sérgio Reis. Ele também adora macarrão, sopa, passeios e sair para comer.
Quando vai à cidade de Botucatu, tem até uma parada preferida: o McDonald’s.
Exercícios e passeios aos 80
Aos 80 anos, Neno mantém uma rotina organizada. Ele faz atividades físicas supervisionadas duas vezes por semana, ouve rádio durante a tarde, janta com a família e assiste um pouco de televisão.
Nos fins de semana, costuma passear e participar da missa. A saúde está estável, apesar das limitações naturais da idade. Neno caminha mais devagar, mas continua disposto a sair de casa e aproveitar os passeios.
Ao longo da vida, passou por cirurgias, pneumonias e outros problemas de saúde. Também sofreu um AVC isquêmico, mas, segundo a família, se recuperou sem sequelas importantes graças ao acompanhamento médico e aos cuidados recebidos.
“Patrimônio humano” da cidade
E o recorde vai muito além de um certificado. Familiares, amigos e vizinhos consideram Neno uma espécie de “patrimônio humano” de São Manuel, pelo jeito simples, alegre e carinhoso com que trata as pessoas.
A sobrinha Rosane Cristina Melchiori Francisco, que enviou as informações e a documentação ao RankBrasil, diz que os 80 anos do tio mostram a importância do acolhimento ao longo de toda a vida.
Para a família, a mensagem que fica é simples: pessoas com síndrome de Down devem ter oportunidades, direitos, respeito e incentivo para desenvolver o próprio potencial. E Neno segue mostrando isso do jeito dele.
O Neno, vive num sítio em São Manuel (SP) e foi reconhecido pelo RankBrasil como o idoso com Down mais longevo do país. – Foto: Arquivo Familiar




