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Bruno Gagliasso lança o filme Honestino em Brasília e fala com o SNB: “democracia e liberdade”

Por Guilherme
Por Guilherme

Bruno Gagliasso esteve em Brasília nesta quarta-feira (12) para uma sessão especial de lançamento do filme Honestino, cinebiografia sobre o líder estudantil Honestino Monteiro Guimarães, que desapareceu aos 26 anos, em 1973, durante a ditadura militar e o corpo nunca foi encontrado. O longa estreia nesta quinta-feira, 13 de agosto, em cinemas alternativos de 18 cidades brasileiras.

Em entrevista exclusiva ao Só Notícia Boa, após a sessão no cinema do Shopping Liberty Mall, Bruno contou que fez o personagem com muito amor e destacou a importância de levar a história de Honestino para as novas gerações. O filme é dirigido por Aurélio Michiles e acompanha a trajetória do jovem que estudou Geologia na Universidade de Brasília (UnB), presidiu a UNE, Uniao Nacional dos Estudantes e se tornou símbolo da resistência ao regime militar.

“Ele lutou pela democracia, lutou pela liberdade”, disse Bruno Gagliasso ao SNB. O ator afirmou que também acredita na necessidade de transformar o mundo e que essa identificação com Honestino ajudou na construção do personagem.

Como interpretar alguém sem imagens em vídeo

Um dos grandes desafios para Bruno foi interpretar um personagem que não tem registros em vídeo. Na época em que Honestino viveu na clandestinidade, ele e outros perseguidos pelo regime evitavam fotografias e filmagens que pudessem deixar pistas sobre o paradeiro deles.

Mesmo assim, uma pessoa muito próxima de Honestino surpreendeu Bruno depois de assistir ao filme: Júlia, a filha do líder estudantil, que estava presente na sessão em Brasília, perguntou como o ator havia conseguido reproduzir até o jeito de andar do pai. A pergunta emocionou o ator porque ele não tinha imagens de Honestino caminhando para usar como referência durante a preparação.

Para Bruno, a identificação com as ideias, a personalidade e a história do estudante ajudaram a encontrar o personagem. O ator também elogiou a direção de Aurélio Michiles e a fotografia do longa e convidou o público a conhecer a história de Honestino nos cinemas.

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Quem foi Honestino Guimarães

Honestino Monteiro Guimarães nasceu em Itaberaí, em Goiás, e se mudou com a família para Brasília em 1960, justamente no ano da inauguração da nova capital.

Ele estudou no Centro de Ensino Médio Elefante Branco e depois no Centro Integrado de Ensino Médio, o CIEM. Ainda adolescente, começou a participar do movimento estudantil. Aos 18 anos, passou em primeiro lugar para o curso de Geologia da Universidade de Brasília.

Na UnB, Honestino conciliava os estudos com a atuação política. Foi preso quatro vezes durante manifestações e movimentos grevistas e chegou à presidência da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília, a Feub.

Em 1968, foi preso durante uma das invasões militares mais violentas sofridas pela Universidade de Brasília. No mesmo ano, Honestino foi desligado da instituição.

Da UnB à clandestinidade

Com o endurecimento da repressão após o Ato Institucional nº 5, o AI-5, Honestino passou a viver na clandestinidade, primeiro em São Paulo e depois no Rio de Janeiro. Mesmo escondido, não abandonou o movimento estudantil.

Em 1971, foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes, a UNE, que também atuava na clandestinidade naquele período.

Honestino foi preso pelo Centro de Informações da Marinha, o Cenimar, em 1973. O desaparecimento dele foi registrado em 10 de outubro daquele ano. O corpo nunca foi encontrado.

O reconhecimento da história

A morte de Honestino foi reconhecida oficialmente em 1996, após a Lei dos Desaparecidos Políticos. Em 2014, ele recebeu anistia política post mortem.

Em 2024, mais de cinco décadas depois da expulsão, a Universidade de Brasília anulou oficialmente a decisão que havia desligado Honestino da instituição.

A UnB também realizou uma cerimônia para conceder a ele, postumamente, o diploma de geólogo. As homenagens ao estudante estão espalhadas pela universidade.

O Diretório Central dos Estudantes da UnB leva o nome DCE Honestino Guimarães. O Teatro de Arena do campus também foi batizado em homenagem a ele e uma placa recorda a trajetória do líder estudantil.

Honestino dá nome a ponte e museu de Brasília

A memória de Honestino também está presente em alguns dos principais espaços públicos de Brasília.

O Museu Nacional da República, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 2006 no Eixo Monumental, leva o nome de Honestino Guimarães.

Uma das pontes de Brasília também recebeu o nome dele, a ponte 2, como é conhecida na cidade. A antiga Ponte Costa e Silva, que homenageava o segundo presidente do período da ditadura militar, passou oficialmente a se chamar Ponte Honestino Guimarães após uma longa discussão política e judicial.

A mudança foi consolidada em dezembro de 2022, quando a Câmara Legislativa do Distrito Federal derrubou o veto do governador à lei que alterava o nome.

História do herói nas telas

Agora, mais de meio século depois do desaparecimento, a trajetória de Honestino também chega às telas dos cinemas brasileiros.

Para Bruno Gagliasso, contar essa história é uma forma de manter viva a memória de um jovem que acreditava na liberdade e na democracia.

“Eu também acredito que o mundo precisa mudar”, disse o ator ao Só Notícia Boa.

Assista a entrevista de Bruno Gagliasso sobre o filme Honestino:

Agora o trailer oficial do filme:

*Todas as notícias são retiradas de fonte de sites conforme informado na última linha “apareceu primeiro em …”

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