A escalada dos furtos de aparelhos de ar-condicionado e fiações de cobre no Centro de Campos começa a produzir um efeito ainda mais grave do que o prejuízo financeiro: comerciantes ameaçam fechar as portas.
O alerta aparece de forma recorrente nos relatos colhidos pela reportagem do J3News, na matéria especial que aborda o avanço desse tipo de crime e suas consequências para quem insiste em manter o comércio funcionando na região central da cidade.
A rotina se repete quase sempre da mesma forma: crimes cometidos de madrugada, equipamentos desmontados no próprio local, fuga facilitada por terrenos baldios e imóveis abandonados e, no fim, a sensação de que nenhum investimento em segurança é suficiente. Alarmes, câmeras, sensores e grades já fazem parte do cenário, mas não têm sido capazes de impedir os furtos.
Se acontecer de novo, a loja fecha
Na Rua Treze de Maio, uma das mais tradicionais do Centro, a gerente de uma loja de depilação, Larissa Siqueira, resume o esgotamento vivido por quem é alvo constante dos criminosos. O furto mais recente ocorreu há cerca de três semanas e foi o quarto em apenas um ano.
Em todos os casos, o alvo foi o mesmo: fios e condensadoras de ar-condicionado. “Eles sempre vêm para o ar-condicionado. Desmontam tudo aqui mesmo, peça por peça. É menos peso para carregar e chama menos atenção”, relata. No último episódio, o prejuízo chegou a R$ 16 mil. Somando todos os furtos, o valor já se aproxima de R$ 100 mil.
Mesmo com sistema de monitoramento, o medo passou a fazer parte da rotina. “Qualquer barulho vira terror. O alarme dispara, o celular toca, e você já imagina o pior. Teve um dia que a gente chegou aqui e o assaltante estava saindo. A polícia ainda não tinha chegado”, conta.
Segundo Larissa, a decisão de manter a loja aberta está por um fio. “A minha patroa já falou: se acontecer de novo, fecha. Ela não aguenta mais. É prejuízo, é insegurança, é não conseguir dormir”, conta.
Centro abandonado e fuga facilitada
Além da falta de policiamento noturno, comerciantes apontam o abandono urbano como um fator decisivo para a ação dos criminosos. “Depois das 22h você não vê mais polícia. E tem muito terreno baldio, muito mato. No dia do furto, eles pularam exatamente para um terreno abandonado do lado”, relata Larissa.
A gerente diz que a sensação é de abandono completo. “Depois reclamam que o comércio está fechando no Centro. Mas as portas estão se fechando porque ninguém aguenta mais. A gente tenta resistir, mas está muito difícil”, desabafa.
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