Abrir câmera

Os heróis dos tempos em que Rita Lee dizia que roqueiro brasileiro tinha cara de bandido

Por Guilherme
Por Guilherme

O ano de 1980 representou a explosão definitiva de Rita Lee como a maior figura do pop brasileiro. Em parceria com o marido Roberto de Carvalho, ela lançou naquele ano o álbum que ficaria marcado para sempre pela irresistível Lança Perfume. Havia ainda no repertório outras canções que viraram clássicos, a exemplo de Baila Comigo e Caso Sério. Rita ampliava as possibilidades artísticas, até criando composições em ritmo de bolero, mas nunca negou as raízes roqueiras. Prova disso é que o LP fecha com a divertida e incendiária Ôrra meu, homenagem à turma do bairro paulistano da Pompeia, de onde surgiram grupos que marcaram época. Em um determinado momento da letra, ela canta o verso que ficou famoso: “roqueiro brasileiro sempre teve cara de bandido”. 

Nada mais verdadeiro para uma época em que o rock nacional não fazia parte do mainstream. Nada mais verdadeiro para o grupo que encarnava melhor essa imagem de bad boys na época por aqui, o Made in Brazil. A banda foi criada pelos irmãos Oswaldo e Celso Vecchione. Vizinhos de Rita Lee na Pompeia, montaram o grupo com a proposta de fazer um rock básico, ao estilo de Chuck Berry e Rolling Stones. Eles foram um dos pioneiros a fazer shows maquiados e trombaram por diversas vezes com a censura, que chegou a proibir um disco inteiro da banda antes do lançamento.

Um dos pontos altos da carreira do Made in Brazil ocorreu há cinquenta anos, com o lançamento do álbum Jack O Estripador. Puxado pela faixa homônima, virou um clássico imediato nos círculos roqueiros. Os irmãos Vecchione dividiram a produção do disco com o jornalista Ezequiel Neves (1935-2010). Zeca Jagger, como ele era conhecido e assinava assim seus textos, foi um dos grandes nomes da imprensa musical do Brasil e virou uma espécie de membro informal da banda desde aquela época.

O Made in Brazil ficou famoso também pela rotatividade de músicos. Alguns cálculos falam em mais de 200 formações diferentes ao redor dos irmãos Vecchione. Para seguir na estrada por quase sessenta anos, a banda precisou também superar momentos críticos. Um deles foi o morte em 2023 de Celso, que lutava contra uma esclerose múltipla e sofreu um mal súbito quando estava internado com pneumonia. Três anos antes, Oswaldo havia sofrido um AVC, doença que o impede até hoje a empunhar seu lendário contrabaixo em formato de estrela, uma das marcas registradas do Made. Apesar disso, ele segue cantando e tocando gaita nos shows do grupo. 

No mundo do rock brasileiro, não há ninguém que não tenha uma dívida com o Made in Brazil. A depender de Oswaldo, o grupo seguirá em frente por muitas décadas ainda, conforme ele contou em uma entrevista à VEJA: “Nós nos orgulhamos de ter influenciado dezenas de bandas de rock brasileiras e ainda hoje continuar influenciando novos grupos. Meu plano para o futuro, por enquanto, é me manter vivo, respirando”.

Vivo, respirando e com a postura de roqueiro brasileiro que sempre teve cara de bandido.

Publicidade

*Todas as notícias são retiradas de fonte de sites conforme informado na última linha “apareceu primeiro em …”

Compartilhe esta postagem:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Últimas Notícias
Previsão do Tempo
+27
°
C
+28°
+23°
Campos dos Goytacazes
Quinta-Feira, 01
Ver Previsão de 7 Dias
Categorias

Assine nossa newsletter

Queremos oferecer para os ouvintes a playlist das melhores músicas Pop Rock!