A Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), espécie de “buraco” no escudo protetor da Terra, pode ter nascido no Oceano Índico por volta de 1100. Um estudo, publicado na segunda-feira (04) na revista científica PNAS, revela que o fenômeno migrou lentamente para o oeste, atravessou a África e se instalou sobre a América do Sul.
Embora a região sofra com um campo magnético enfraquecido que ameaça o funcionamento de satélites e missões espaciais, o levantamento mostra que essa instabilidade não é inédita e já ocorreu diversas vezes nos últimos dois mil anos.
Cientistas garantem que o evento atual faz parte de um processo geológico cíclico e não indica uma inversão iminente dos polos magnéticos do planeta.
Arqueologia e geologia explicam origem e riscos do ‘escudo fraco’ da Terra
Para reconstruir essa história milenar, pesquisadores analisaram mais de 250 fragmentos de cerâmica arqueológica encontrados em solo sul-americano.
Como os minerais magnéticos presentes na argila registram a intensidade do campo terrestre ao serem queimados em altas temperaturas, as peças funcionam como um “arquivo magnético” da proteção do planeta na época em que foram produzidas.
A partir dessa técnica, os cientistas obtiveram 41 novas medições que permitiram mapear o comportamento do escudo nos últimos dois milênios.
O novo modelo global gerado pelos dados indica que uma anomalia similar já havia percorrido o mesmo caminho entre os anos 1 e 850 d.C..
A versão moderna da AMAS, iniciada após o século 12, reforça a tese de que o campo geomagnético segue padrões repetitivos controlados por interações profundas entre o núcleo de metal líquido e o manto terrestre abaixo da África.
Esse movimento é extremamente lento e gradual, o que significa que o fenômeno não afeta diretamente a vida das pessoas na superfície da Terra.
Na prática, a anomalia atua como uma depressão no campo magnético, permitindo que a radiação cósmica e as partículas solares cheguem mais perto da superfície.
Isso cria zonas de risco para a Estação Espacial Internacional (ISS) e satélites que cruzam a região. E pode causar falhas graves em componentes eletrônicos ou até o encerramento prematuro de missões espaciais.
O impacto é monitorado de perto por agências espaciais, já que a radiação nessas coordenadas é significativamente superior à de outras áreas.
Para evitar que os equipamentos sofram danos permanentes, agências como a NASA (EUA) e a ESA (Europa) colocam aparelhos em modo de espera (standby) durante a travessia pela anomalia.
Como o Brasil está posicionado no epicentro da anomalia, o país ocupa uma posição estratégica para o desenvolvimento de pesquisas em geomagnetismo.
O Observatório Nacional (ON) usa unidades em Belém (PA), Vassouras (RJ) e Macapá (AP) para fornecer dados que ajudem a prever a evolução do escudo terrestre.
Esse acompanhamento constante é vital para entender as mudanças lentas do planeta e preparar a tecnologia para os possíveis impactos ambientais e tecnológicos do futuro.
(Essa matéria também usou informações do G1.)
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