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Diferente do ‘Andrea Gail’, o Brasil precisa vencer a onda para não afundar

O Brasil atingiu a dose de adversidades que se pode definir como a máxima suportável. A partir desse ponto, se não houver estagnação e imediato recuo na série de obstáculos que vem assolando o País, o colapso pode estar na próxima esquina.

Não há exagero. Ao contrário, a citação “suportável” minimiza a gravíssima situação de um País que precisa encontrar uma brecha e fugir da tempestade perfeita para não naufragar. Também não constitui alarmismo observar que o Brasil amarga um dos períodos mais difíceis de sua história e, sob certos aspectos, sem precedentes.

Isso porque a extensão dos desmandos, a falta de harmonia entre os poderes, a incompetência político-administrativa e os seguidos escândalos de corrupção lançaram o País em mar revolto que, sem um leme firme e o curso certo, pode não chegar a um porto seguro.

‘Mar em Fúria’,
inspirado em fatos
reais, o capitão do
Andrea Gail, Billy
Tyne (George
Clooney)teria que
se antecipar para
escalar o cume
(crista) da onda e
descer por ‘suas
costas’ antes que
ela curvasse para
frente e quebrasse
em posição vertical.
Não deu e submergiu
para as profundezas

Por outro lado, não há de se abraçar o pessimismo tendo em conta a capacidade do Brasil — o potencial — para se livrar de crises, como já fizera em outras ocasiões. De extensão continental e dono da maior bacia hidrográfica do mundo, a terra produtiva favorece exponencialmente o agro, que via de regra se apresenta como a boia salvadora.

Mas a boia precisa ser jogada com urgência para que a rede de corrupção, que ora se avoluma com o ‘caso Master’ e bate nos quatro cantos da república, não se transforme num “Mar em Fúria”. Afina, não podemos ser o Andrea Gail.

Reflexos são sentidos em várias áreas, particularmente a econômica, como alguns exemplos relacionados abaixo

81 MILHÕES DE INADIMPLENTES

De acordo com levantamento do Serasa, o Brasil tem 81,2 milhões inadimplentes, o que corresponde a algo próximo de um terço da população. O número assustador de endividados é um recorde da série histórica e gera insegurança financeira. No final de março o Serasa realizou o ‘Feirão Limpa Nome’, reunindo mais de 2 mil empresas e oferecendo descontos para renegociação. Em 2023, quando o presidente Lula tomou posse, eram 70 milhões. O crescimento em período tão curto foi acima de 15%.

CARGA TRIBUTÁRIA

Segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional na sexta-feira (10/04), em 2025 a carga tributária do Brasil subiu 32,40% do PIB. Trata-se do maior valor da série histórica desde 2010. Os impostos federais que mais aumentaram foram as contribuições previdenciárias, o IR retido na fonte, o imposto de importação (passou de 0,66% para 0,71% do PIB) e o IOF, que subiu de 0,57% para 0,68% do PIB.

DÍVIDAS/CARTÃO

O endividamento das famílias cresceu de forma assustadora nos últimos 12 meses. Segundo o BC, 101 milhões de pessoas usam cartão de crédito no País. Desses, 40 milhões estão no rotativo pagando taxa de até 400% (quatrocentos) ao ano. No parcelamento, são 37 milhões de clientes. Quase 30 milhões estão no consignado e 50 milhões de brasileiros acessam o não consignado, pagando 100% de juros ao ano.

RECUO NO PIB

Em 2025, o Produto Interno Bruno (PIB) teve o menor avanço em cinco anos. A economia nacional cresceu 2,3% — o pior desempenho desde a pandemia. A principal causa são os juros elevados — um dos mais altos do mundo — que resultam no encolhimento dos investimentos. Segundo o IBGE, o PIB cresceu 4,8% em 2021, 3% em 2022, 3,2% em 2023, 3,4% em 2024, despencando para 2,3% no ano passado.

DÍVIDA EXTERNA BATE RECORDE

Aproximando-se da casa de 400 bilhões de dólares, a dívida externa alcançou o valor mais alto da história. As reservas internacionais encolheram perante o endividamento do País com o resto do mundo. Em outras palavras, a margem entre reservas e dívidas sofreu redução. Trata-se da maior cifra da série de estatísticas em 56 anos.

CONTAS PÚBLICAS COM HADDAD

O balanço da gestão do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mostra que as contas públicas pioraram. Responsável pelo controle dos gastos, do ‘Arcabouço fiscal’ de 2023 aos últimos dias à frente da pasta, o saldo foi negativo. Em resumo, 5 indicadores fiscais ficaram em situação pior do que estavam quando entrou: Dívida bruta, dívida líquida, deficit estrutural, colchão da dívida e restos a pagar.

QUADRO/2026

Como consequência de 2025, a economia do Brasil não tem previsão otimista para este ano. Indústria, varejo e serviços perderam fôlego. Além disso, a combinação de juro alto com inflação resistente trava o setor. Trata-se de um problema recorrente no Brasil, mas que nos últimos anos tem se apresentado de forma mais dura.

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