O avanço da inteligência artificial está levando as big techs a buscar novas fontes de energia – e a aposta da vez é a energia nuclear. Gigantes como Meta, Amazon e Google têm firmado acordos com desenvolvedoras de reatores para garantir fornecimento elétrico a longo prazo, ao mesmo tempo em que ajudam a viabilizar financeiramente projetos ainda em fase inicial.
O movimento ocorre em um momento em que o consumo de energia nos Estados Unidos tende a crescer, impulsionado principalmente pela expansão de data centers. Segundo a Administração de Informação Energética, a demanda deve aumentar 1% neste ano e 3% no próximo.
Nesse cenário, os chamados pequenos reatores modulares (SMRs) ganham destaque. Esses sistemas são menores e mais flexíveis do que usinas nucleares tradicionais, com potencial para custos iniciais menores e prazos de construção reduzidos. Apesar disso, nenhum projeto do tipo entrou em operação comercial até agora, em parte devido a desafios financeiros e riscos tecnológicos.
Big tech fecharam acordos bilionários para garantir energia
Para acelerar o desenvolvimento dessa tecnologia, big techs começaram a atuar como financiadoras e clientes desses projetos:
A Meta, por exemplo, anunciou em janeiro apoio ao desenvolvimento de duas unidades da Terrapower, com capacidade combinada de até 690 megawatts. A empresa também fechou um acordo com a Oklo para a criação de um campus nuclear de 1,2 gigawatt em Ohio. O Olhar Digital deu detalhes sobre ambas aqui;
A Amazon, por sua vez, trabalha com a X-energy em um plano para implantar mais de 5 gigawatts em pequenos reatores nos Estados Unidos até 2039. Saiba mais aqui;
Já o Google firmou parceria com a Kairos Power, com a meta de colocar seu primeiro reator em operação até 2030. Leia os detalhes neste link.
Essas parcerias não apenas garantem fornecimento futuro de energia, mas também oferecem previsibilidade de receita para as empresas nucleares – fator considerado essencial para atrair financiamento.
Os desafios da energia nuclear
O interesse das big techs começa a despertar atenção no mercado financeiro. A presença de contratos de longo prazo pode reduzir riscos e tornar os projetos mais atrativos para investidores institucionais, historicamente afastados do setor.
Ainda assim, há cautela. Especialistas consultados pela agência Reuters apontam que o setor de “energia nuclear avançada” enfrenta obstáculos significativos, como incertezas regulatórias, custos elevados de construção e desafios técnicos.
Para Tim Winter, gestor do Gabelli Utilities Fund, o papel das empresas de tecnologia será decisivo. “O setor precisa de alguém que assuma os riscos de estouro de orçamento e atrasos. O grau de disposição dos hiperescaladores em fazer isso determinará o impulso que esses acordos trarão para o setor”, afirmou.
Mesmo com o aumento da demanda e o interesse crescente, a expansão da energia nuclear avançada ainda depende de fatores estruturais. Questões como licenciamento, fornecimento de combustível e execução das obras seguem como entraves.
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Além disso, a disponibilidade de mão de obra especializada pode se tornar um gargalo. Um relatório recente da Nuclear Scaling Initiative aponta que a competição por profissionais qualificados (como eletricistas e instaladores) tende a aumentar, inclusive com o próprio setor de data centers disputando esses trabalhadores.
A entrada das big techs no mercado de energia nuclear pode representar um novo capítulo para o setor, mas o caminho até a operação em larga escala ainda depende de avanços técnicos, regulatórios e financeiros.
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