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O roqueiro que lutou contra uma cobra na frente de 400 000 pessoas

Qual seu maior desafio quando você está diante de 400 000 pessoas no show que pode catapultá-lo ao sucesso internacional? Para Carlos Santana, o problema envolvia solar sobre o braço da guitarra, que havia se transformado em uma cobra. Conforme conta no excelente documentário Carlos, que está disponível no Prime Vídeo, da Amazon, antes de subir ao palco no segundo dia de apresentações em Woodstock, em 16 de agosto de 1969, ele conta ter tomado uma dose de LSD fornecida por Jerry Garcia, líder do Grateful Dead. Santana achava que o pico do efeito da droga passaria horas antes do show, mas errou feio o cálculo.

Quando foi chamado a se apresentar, bem antes do que imaginava, o ácido fervilhava em sua cabeça, produzindo alucinações como a do instrumento transformado em réptil. Santana acabou vencendo o desafio diante de uma plateia estimada naquele dia em 400 000 pessoas. A apresentação de 45 minutos se tornou um dos momentos clássicos de Woodstock e os closes no rosto mostram o músico de olhos fechados, fazendo uma série de caretas. Segundo Santana, era a expressão facial do esforço para lugar contra a serpente. Confira aqui um trecho da apresentação:

O guitarrista entrou para Woodstock em condições bem diferentes de estrelas como The Who e Jimi Hendrix. Ao contrário dos roqueiros, Santana não havia lançado sequer um disco. A popularidade dele se restringia a apresentações na lendária casa de shows Filmore West, em San Francisco. Foi o proprietário do local, o empresário Bill Grahan, que exigiu a presença dele no festival. Santana ganhou um cachê estimado na época de 750 dólares, uma ninharia perto dos 18 000 pagos a Hendrix.

Em agosto do mesmo ano, ocorreu o lançamento do primeiro disco do guitarrista, que estourou nas paradas, puxado por sucessos como Evil Ways e Soul Sacrifice. O som de Santana trazia uma mistura inovadora de rock com música latina, fruto da influência da história de sua família. Filho de um violinista mariachi, ele nasceu no estado de Jalisco, no México, mas se mudou com os pais para San Francisco. Na juventude, viu de perto a explosão por lá do rock psicodélico.

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No decorrer de sua bem-sucedida carreira, Santana mergulhou também no universo fusion graças à sua adoração por John Coltrane, na fase em que abandonou as drogas e passou a se apresentar de ternos brancos e cabelos cortados. A mudança ocorreu quando mergulhou em uma fase espiritual no início dos anos 70 e, inspirado pelo guru Sri Chinmoy, passou a gravar discos sob o pseudônimo de Devadip, que significa “a lâmpada, a luz e o olho de Deus”.

Esses ótimos trabalhos não renderam o mesmo sucesso comercial dos primeiros álbuns e Santana, aos poucos, começou se voltar para um formato mais pop. Acabou recompensado pelo megassucesso de Supernatural, de 1999, que liderou as paradas em mais de dez países e conquistou nove Grammy na cerimônia de 2000.

Aos 78 anos, Santana continua ativo. Desde março, roda pelos Estados Unidos com a turnê Oneness Tour 2026 desde março. No documentário disponível na Amazon, ele ri quando alguém lembra a ele que seu estilo já foi definido como o de um mariachi psicodélico. Isso reduz bastante a enorme palheta artística do músico que, ao lado de Eric Clapton e Jimmy Page, é um dos sobreviventes da safra de grandes guitar heroes  dos anos 60.

A maior viagem da carreira de Santana foi a de desafiar uma serpente no palco do maior festival de rock de todos os tempos – e sair vivo dali para contar história.

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