Após dez dias de missão no espaço, os astronautas da Artemis 2 retornam à Terra nesta sexta-feira (10). No entanto, o fim da jornada no espaço marca o início de um complexo e longo processo de reabilitação física. O corpo humano, adaptado à ausência de peso, sofre um verdadeiro choque ao reencontrar a gravidade terrestre.
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O resgate e os primeiros sintomas
O processo começa com a amerissagem – o nome técnico do pouso da cápsula no mar. Assim que tocam a água, os astronautas são auxiliados pela Marinha dos EUA. Devido à perda da noção de peso na microgravidade, eles não saem da cápsula por conta própria; são removidos e colocados em botes especiais.
De acordo com informações do Tilt, a tripulação é submetida a exames médicos imediatos antes de seguir para o Centro Espacial Johnson, da Nasa, em Houston. Os sintomas mais comuns relatados pela agência espacial incluem:
Tontura extrema e náuseas;
Dificuldade severa de permanecer em pé;
Quedas bruscas de pressão arterial.
Essas reações ocorrem porque os sistemas cardiovascular e de equilíbrio “desaprendem” a lidar com a força da gravidade. Um exemplo curioso desse desajuste foi relatado pelo astronauta Leland Melvin: em seu retorno, ele tentou “flutuar” da cama para ir ao banheiro e acabou caindo, esquecendo-se de que a gravidade havia voltado a atuar.
Recondicionamento físico rigoroso
Mesmo com rotinas de exercícios dentro das naves, a perda de massa muscular e densidade óssea é inevitável. Na microgravidade, o coração não precisa se esforçar para bombear o sangue para as extremidades, o que pode causar atrofia muscular e mal-estar generalizado no retorno.
Para reverter esse quadro, a NASA estabelece um cronograma rígido:
Exercícios diários: duas horas de atividades físicas por dia.
Duração: o programa intensivo dura, no mínimo, 45 dias.
Restrições: segundo a divisão médica da Universidade do Texas, os astronautas são proibidos de dirigir por pelo menos uma semana após o pouso.
Sequelas e mudanças permanentes
Embora a maioria consiga realizar tarefas simples e ficar em pé após dez dias de solo, a jornada espacial pode deixar marcas definitivas.
Um fenômeno comum é o “crescimento” temporário: na microgravidade, a coluna vertebral se estica e fica reta, tornando o astronauta alguns centímetros mais alto. Ao retornar à Terra, a gravidade comprime as vértebras novamente, o que costuma causar dores nas costas durante o ajuste.
Relatos de missões passadas, citados pelo Tilt, mostram que as sequelas podem ser mais graves. O astronauta brasileiro Marcos Pontes relatou que, anos após sua viagem em 2006, desenvolveu vitiligo, perda parcial da audição, alterações de peso e sangramentos nos ouvidos.
Embora a tripulação da Artemis 2 seja liberada para atividades rotineiras em poucas semanas, o monitoramento de saúde continua por tempo indeterminado para entender os impactos de longo prazo da exploração espacial no organismo humano.
Esse acompanhamento é regido pelo protocolo Lifetime Surveillance of Astronaut Health (que pode ser traduzido como “Vigilância Vitalícia da Saúde dos Astronautas”) da NASA O programa funciona como uma vigilância epidemiológica vitalícia, rastreando lesões, doenças crônicas e riscos ocupacionais para detectar precocemente qualquer problema de saúde relacionado à exposição ao ambiente espacial.
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