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Estrela fóssil de 13 bilhões de anos ajuda a investigar o nascimento do Universo

Como eram as primeiras estrelas do cosmos? Essa pergunta orienta uma pesquisa conduzida pelo astrofísico brasileiro Guilherme Limberg, pesquisador de pós-doutorado no Instituto de Cosmologia Física da University of Chicago. O cientista participou do programa Olhar Espacial da última sexta-feira, apresentado por Marcelo Zurita, para explicar como uma estrela extremamente antiga pode revelar pistas sobre o início da formação estelar no Universo.

A descoberta central do estudo é a estrela GDR3_526285, considerada um fóssil cósmico com cerca de 13 bilhões de anos. O trabalho foi publicado no periódico The Astrophysical Journal Letters e envolveu pesquisadores de dez universidades. Objetos desse tipo preservam características químicas raras e ajudam cientistas a reconstruir as condições do cosmos primitivo.

Estrela rara revela pistas sobre o Universo primitivo

A estrela GDR3_526285 está localizada na borda da Via Láctea, a aproximadamente 80 mil anos-luz da Terra. O que torna esse objeto tão importante é sua composição química extremamente pobre em elementos pesados. Esses elementos incluem todos os átomos além do hidrogênio e do hélio.

A estrela apresenta uma metalicidade extremamente baixa, inferior a 0,002% da encontrada no Sol, o que indica que ela pode ser descendente direta das primeiras estrelas formadas após o Big Bang. Crédito: ESA/Digitized Sky Survey 2

Segundo Limberg, a estrela funciona como uma espécie de relíquia cósmica. “Essa estrela é uma descendente direta das primeiras estrelas. Como ela tem uma quantidade tão minúscula de metais, está muito próxima das primeiras estrelas”, explicou durante o programa. Isso significa que o objeto preserva pistas valiosas sobre como era o ambiente químico do Universo logo após o Big Bang.

A composição química também ajuda a reconstruir a história da formação estelar. “Estrelas da primeira geração produziram elementos pesados em supernovas. Esses materiais foram herdados por estrelas de segunda geração, cujas características ajudam cientistas a reconstruir como eram as primeiras estrelas do universo”, afirmou o pesquisador.

Como cientistas encontram fósseis cósmicos

Identificar uma estrela com características tão primitivas exige analisar grandes volumes de dados astronômicos. No caso da GDR3_526285, os pesquisadores investigaram milhares de candidatos antes de confirmar que se tratava de um objeto extremamente raro.

Essas estrelas primitivas produziram elementos pesados em explosões de supernovas, que foram herdados por gerações seguintes e ajudam cientistas a reconstruir a história da formação estelar no cosmos. Crédito: Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/AURA/P. Marenfeld & M. Zamani

O processo começa com técnicas que ajudam a selecionar alvos promissores antes de observações mais detalhadas. “O que geralmente fazemos é tentar usar alguma técnica intermediária para descobrir quais estrelas são interessantes para observar”, explicou Limberg.

Uma das estratégias utilizadas envolve a análise da luz das estrelas. “Por exemplo, usamos muitas vezes a técnica da fotometria, que nos fornece um primeiro indício da metalicidade, ou seja, da composição química da estrela que estamos investigando”, disse o pesquisador.

Entre os principais pontos discutidos no episódio do programa Olhar Espacial estão:

A identificação da estrela GDR3_526285 como um possível fóssil do Universo primitivo;

A metalicidade extremamente baixa do objeto, inferior a 0,002% da encontrada no Sol;

Técnicas como fotometria usadas para selecionar estrelas raras;

A relação entre supernovas antigas e a composição química das gerações seguintes de estrelas;

Como essas descobertas ajudam a entender a formação estelar no cosmos inicial.

Poeira cósmica pode explicar nascimento das primeiras estrelas

A pesquisa liderada por Limberg também questiona hipóteses tradicionais sobre a formação estelar. Durante décadas, modelos indicavam que nuvens de gás precisavam de uma quantidade mínima de metais para resfriar e colapsar, formando novas estrelas.

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A estrela GDR3_526285 mostra que esse processo pode ocorrer mesmo com quantidades extremamente pequenas de elementos pesados. “A gente descobriu que nem todas as estrelas têm a mesma composição química do Sol, que era o que a gente esperava antes”, destacou Limberg.

Os pesquisadores sugerem que um mecanismo chamado dust cooling pode explicar o fenômeno. Nesse processo, pequenos grãos de poeira ajudam a dissipar calor nas nuvens de gás, permitindo a formação de estrelas mesmo em ambientes muito primitivos do Universo.

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