O neurocirurgião Leandro Alcy é referência em Campos dos Goytacazes no tratamento de doenças da coluna lombar e cervical. No Hospital Geral Dr. Beda, ele utiliza, em casos selecionados, a técnica ALIF (Artrodese Lombar Intersomática Anterior), procedimento que acessa a coluna pela região abdominal e exige cuidado no manejo de vasos e outras estruturas anatômicas.
A cirurgia é realizada com o apoio de um especialista em acessos cirúrgicos, o que aumenta a segurança do procedimento. De acordo com o médico, a recuperação costuma ser rápida, com pacientes caminhando poucas horas após a cirurgia e, na maioria das vezes, sem necessidade de internação em UTI.
O que torna a ALIF (Artrodese Lombar Intersomática Anterior) desafiador do ponto de vista médico?
Principalmente por ser um procedimento que acessa a coluna lombar pela parte da frente (abdômen), exigindo manipulação de estruturas anatômicas vitais e manejo de vasos e vísceras.
Um paciente recentemente me perguntou se o intestino era todo retirado e depois recolocado no local, nada disso !!!! Acessamos por planos anatômicos afastando as estruturas delicadamente fazendo com que após a cirurgia tudo volte para seu devido local .
Vale ressaltar que o abdômen não é uma região habitual para o neurocirurgião, necessitamos de uma equipe em que um medico especializado em acessos cirúrgicos nos auxilia e gera uma segurança extrema para esse procedimento. Paciente anda horas após a cirurgia e na maioria das vezes não vai para UTI .
Em linhas gerais, quais são os principais objetivos da ALIF (Artrodese Lombar Intersomática Anterior) e que ganhos ela pode trazer para a qualidade de vida do paciente?
Principais Objetivos da ALIF:
Fusão Lombar: Unir duas ou mais vértebras para tratar instabilidade, degeneração severa, hérnias e deformidades.Descompressão Indireta: Remover o disco doente e substituí-lo por um cage (prótese) maior, o que aumenta o espaço foraminal (onde passam os nervos) e restaura a altura discal.Correção de Lordose: Restaurar a curvatura natural da lombar, melhorando o alinhamento vertebral.Preservação Muscular: Acessar a coluna sem manipular a musculatura posterior das costas, reduzindo o trauma cirúrgico. Ganhos para a Qualidade de Vida:Alívio Significativo da Dor: Redução da dor lombar crônica e radicular (ciático) devido à estabilização e descompressão.Recuperação Mais Rápida: Devido à via de acesso minimamente invasiva, o paciente costuma ter alta mais breve, menor tempo de internação e retorno mais precoce às atividades diárias.Menos Dor Pós-operatória: Menor agressão à musculatura das costas resulta em um pós-operatório menos doloroso em comparação às técnicas posteriores.Melhor Estabilidade: O cage intersomático oferece uma base sólida, proporcionando maior consolidação da fusão (artrodese).
Lesões na coluna vertebral costumam assustar muito os pacientes e familiares. Quais são hoje as lesões de coluna mais frequentes atendidas na neurocirurgia?
Entre as lesões de coluna mais comuns atendidas na neurocirurgia estão as hérnias de disco lombares e cervicais, que comprimem nervos e causam dores nos braços ou pernas; a estenose espinhal, caracterizada pelo estreitamento do canal vertebral; e a doença degenerativa do disco, relacionada ao desgaste natural da coluna. Também são frequentes fraturas vertebrais provocadas por acidentes ou quedas, fraturas por osteoporose em idosos, além de casos de espondilolistese, quando uma vértebra desliza sobre a outra, e tumores que atingem a coluna, podendo comprimir a medula.
Em que situações o tratamento conservador é suficiente e quando a cirurgia passa a ser indispensável?
O tratamento conservador é para maioria dos pacientes, em menos de 6% dos casos a cirurgia torna-se a prioridade quando há risco de dano neurológico irreversível ou falha grave do tratamento clínico.
A medicina evoluiu muito nas últimas décadas. Que avanços tecnológicos mais contribuíram para o sucesso das cirurgias de coluna atualmente?
A cirurgia de coluna passou por uma revolução nas últimas décadas, movendo-se de procedimentos abertos e invasivos para técnicas de alta precisão que priorizam a recuperação rápida e a redução de danos aos tecidos. Os avanços tecnológicos que mais contribuíram para esse sucesso incluem:
Cirurgia Robótica e Navegação Espinhal (GPS da Coluna): Sistemas robóticos (como o Mazor X) e neuronavegação 3D permitem que os cirurgiões planejem e executem procedimentos com precisão milimétrica, facilitando a colocação de parafusos e implantes,Cirurgia Minimamente Invasiva (MIS) e Endoscopia: O uso de endoscópios e tubos dilatadores permite realizar procedimentos complexos através de pequenas incisões, resultando em menor perda de sangue, menos dor pós-operatória e retorno mais rápido às atividades diáriasImplantes Inteligentes e Materiais Avançados: Implantes de titânio e polímeros de última geração, incluindo materiais impressos em 3D, oferecem maior compatibilidade com o corpo humano, resistência e durabilidade.
Até que ponto o tempo entre a lesão e o início do tratamento influencia no prognóstico do paciente?
O tempo entre a lesão e o início do tratamento é um fator crítico que influencia diretamente o prognóstico do paciente, sendo frequentemente decisivo entre a recuperação total, sequelas crônicas ou morte. A velocidade do atendimento determina a eficácia da intervenção, a redução da mortalidade e a prevenção de complicações.
Como é o trabalho em equipe nesses casos mais complexos, envolvendo neurocirurgia, fisioterapia e reabilitação?
O trabalho em equipe deixa de ser apenas uma colaboração e passa a ser uma intervenção interdisciplinar coordenada, onde as decisões de um especialista impactam diretamente a atuação do outro.
Quais sinais de alerta indicam que uma dor nas costas pode esconder um problema neurológico mais sério?
Alguns sinais indicam que a dor nas costas pode estar relacionada a um problema neurológico e exigem avaliação médica urgente. Entre eles estão perda de controle da urina ou das fezes, dormência na região da virilha ou das pernas, fraqueza ou dificuldade para caminhar, além de dor intensa que não melhora com repouso ou surge após trauma. A presença de febre, perda de peso inexplicada ou histórico de câncer também pode indicar situações mais graves e deve ser investigada rapidamente.
O pós-operatório costuma gerar muitas dúvidas. O que é fundamental para uma boa recuperação após uma cirurgia de coluna?
Aqui estão os pilares fundamentais para o sucesso do pós-operatório:
Movimentação Precoce e Caminhadas
Não fique apenas na cama: Salvo orientações específicas do cirurgião, caminhar precocemente (muitas vezes no dia seguinte à cirurgia) é essencial para prevenir trombose venosa profunda (TVP), melhorar a circulação e acelerar a função intestinal.Autonomia gradativa: O retorno às atividades diárias leves costuma ocorrer a partir da segunda semana, respeitando as limitações de cada procedimento.
Fisioterapia Especializada
Reabilitação direcionada: A fisioterapia é fundamental para fortalecer a musculatura estabilizadora do tronco e recuperar a mobilidade vertebral de forma segura
A preservação dos movimentos e da autonomia do paciente é um dos grandes objetivos da neurocirurgia moderna. Como esse conceito orienta as suas decisões no centro cirúrgico?
Na neurocirurgia moderna, o sucesso de uma operação não é mais medido apenas pela remoção de uma lesão ou pela descompressão de um nervo, mas pela preservação da funcionalidade. O objetivo é que o paciente saia da mesa de cirurgia não apenas “curado”, mas capaz de retomar sua vida, seu trabalho e seus hobbies.
Esse conceito de “máxima ressecção com máxima preservação funcional” orienta as decisões .
Na sua avaliação, quais hábitos do dia a dia mais contribuem para o adoecimento da coluna e poderiam ser evitados?
O adoecimento da coluna geralmente está relacionado à repetição de hábitos inadequados no dia a dia. Entre os mais comuns estão o uso prolongado do celular com a cabeça inclinada para frente, que sobrecarrega a região cervical; o sedentarismo, que enfraquece a musculatura responsável por sustentar a coluna; e a má postura no trabalho, especialmente em ambientes improvisados, como sofá ou cama. Também é frequente a forma incorreta de levantar peso, dobrando a coluna em vez de usar a força das pernas. Além disso, sono de má qualidade e estresse emocional podem aumentar a tensão muscular e favorecer o surgimento ou agravamento de dores na coluna ao longo do tempo.
Que mensagem o senhor deixaria para pacientes que recebem um diagnóstico grave envolvendo a coluna ou o sistema nervoso e têm medo de perder a mobilidade?
Receber um diagnóstico que ameaça a mobilidade é, sem dúvida, um dos momentos mais desafiadores que alguém pode enfrentar. A mensagem central é: o diagnóstico é um ponto de partida, não um destino final.
Aqui estão alguns pilares para ajudar a atravessar esse momento:
O Medo é uma Reação, a Ação é uma Escolha: É natural sentir medo, mas não deixe que ele paralise sua busca por tratamento. Estratégias como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e técnicas de relaxamento são fundamentais para gerenciar a ansiedade e manter o foco na recuperação.Foque em Metas Pequenas e Constantes: A jornada de recuperação neurológica é feita de “micro vitórias”. Em vez de olhar apenas para o objetivo final, celebre cada movimento recuperado ou cada dia de fisioterapia concluído. Estabelecer metas diárias alcançáveis ajuda a manter a motivação e a confiança.Você Não Está Sozinho: O isolamento piora a percepção da dor e o medo. Busque apoio em redes de suporte, grupos de pacientes que passaram pelo mesmo e profissionais de saúde mental especializados em reabilitação.Fé e Ciência Caminham Juntas: Para muitos, a fé é o alicerce que sustenta a alma enquanto a medicina cuida do corpo. Mensagens de esperança e textos de fortalecimento espiritual podem ser aliados poderosos na manutenção do otimismo necessário para o tratamento.
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