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Futuro político de Campos e de Wladimir provoca análises e especulações

Analista político e articulista Rodrigo Lira (Arquivo)

A reportagem especial do J3News desta semana, “Entre Campos e Brasília: futuro de Wladimir deve ser definido até abril” (leia aqui), conta com análises do que pode acontecer, com a possibilidade do prefeito de Campos dos Goytacazes deixar o cargo para disputar as eleições de outubro. O analista e articulista Rodrigo Lira é doutor em Sociologia Política pela Universidade Estadual do Norte Fluminense. Nesta entrevista, ele reflete a respeito do futuro político e administrativo do Município, caso Wladimir Garotinho (PP) decida renunciar, sendo sucedido pelo vice-prefeito Frederico Paes (MDB).

Como observa a possibilidade de Wladimir deixar a prefeitura e transmitir o cargo para seu vice Frederico Paes? O que esse gesto pode provocar política e economicamente em Campos? 

Considerando que Wladimir já foi reeleito e não pode disputar um novo mandato municipal, é natural que surja a hipótese de desincompatibilização para concorrer a deputado federal — cargo que já ocupou e no qual teve atuação reconhecida. Esse movimento faz sentido dentro da lógica política tradicional: manter protagonismo, ampliar base e preservar capital eleitoral. 

Do ponto de vista administrativo, a eventual ascensão de Frederico Paes tende a produzir mudanças limitadas no curto prazo. Restará pouco tempo de governo para uma inflexão estrutural, além da necessidade política de manter alinhamento com Wladimir, sobretudo se houver projeto sucessório em 2028. 

A saída de Wladimir pode ser interpretada de que maneira por seus eleitores? 

Wladimir já vem sinalizando publicamente a possibilidade de disputar espaço em Brasília, especialmente quando mencionou em recente reunião de secretariado a ausência de um deputado federal “forte” para defender os interesses de Campos. Esse discurso prepara o terreno narrativo para uma eventual candidatura, sugerindo que sua saída não seria abandono, mas estratégia para fortalecer o município em outra esfera. 

Ele possui forte capacidade comunicativa, sobretudo nas redes sociais, o que lhe permite moldar a interpretação política do movimento. Apesar das dificuldades estruturais do município, tem conseguido manter níveis relevantes de popularidade. 

O desafio maior será para Frederico: sustentar índices de aprovação sem a mesma habilidade de comunicação e enfrentando problemas crônicos — especialmente nas áreas de saúde, transporte e educação. 

Prefeito Wladimir em Brasília (Arquivo)

Como imagina que poderia ser uma gestão de Frederico Paes? 

Frederico tem perfil empresarial e reputação de gestor eficiente no setor privado. Isso pode imprimir um estilo mais técnico e racional à administração. No entanto, a política municipal exige articulação partidária, negociação legislativa e sensibilidade social — dimensões diferentes da lógica empresarial. 

Campos é um município com orçamento bilionário e elevada capacidade de investimento, mas também com forte dependência de royalties e grande pressão social por serviços públicos. Projetos estruturantes ainda pendentes — como a melhoria do transporte público, revitalização do Centro Histórico, requalificação do Mercado Municipal e outros — podem servir como marcos de uma eventual gestão. 

Seu principal desafio será equilibrar eficiência técnica com habilidade política e comunicação pública. 

Acredita que Wladimir manteria influência sobre a prefeitura? 

É bastante provável que sim, ao menos no primeiro momento. A influência política tende a permanecer enquanto houver alinhamento estratégico, especialmente se houver projeto de sucessão. 

No médio prazo, caso Frederico consolide liderança própria e construa base política independente — eventualmente ancorada em setores empresariais e com perfil mais conservador — pode surgir um novo polo de poder local. Esse processo dependerá da dinâmica eleitoral e do desempenho administrativo. 

Vice-prefeito de Campos, Frederico Paes

Existe risco de repetição do rompimento histórico entre Anthony Garotinho e Arnaldo Vianna? 

A comparação é inevitável na política campista. Anthony Garotinho construiu sucessores e posteriormente rompeu com eles, num padrão de liderança centralizadora. 

Wladimir herdou traços do capital político do pai, mas apresenta estilo mais moderado e menos confrontacional. Até o momento, tem demonstrado maior equilíbrio nas decisões e menos inclinação a rupturas abruptas. Ainda assim, política é dinâmica: divergências podem surgir conforme interesses eleitorais se redefinam. 

Diante dos problemas não resolvidos em cinco anos, o que pode ocorrer se Frederico assumir? 

O cenário é desafiador. Problemas estruturais persistem, especialmente transporte público, saúde e gestão urbana. Com pouco tempo de mandato, dificilmente haverá transformação profunda. 

Se Frederico conseguir organizar minimamente a máquina administrativa, fortalecer coalizões políticas, abrir diálogo com as Instituições de ensino superior locais e estruturar um plano consistente de desenvolvimento econômico já terá cumprido papel relevante nesse período de transição. 

Vista de Campos dos Goytacazes

O que gostaria de destacar sobre o cenário político atual em Campos? 

Um ponto que considero central — e que muitas vezes fica à margem do debate eleitoral — é a ausência histórica de um planejamento estratégico consistente para Campos dos Goytacazes. 

Projetos surgem, anúncios são feitos, mas raramente estão inseridos em um plano estruturado de desenvolvimento de médio e longo prazo. Falta uma visão sistêmica que articule infraestrutura, desenvolvimento econômico, inovação, qualificação profissional, mobilidade e sustentabilidade fiscal. 

Campos é um município com orçamento bilionário, mas extremamente dependente das rendas do petróleo. Essa dependência representa um risco estrutural permanente. As oscilações nos repasses de royalties já demonstraram, em diferentes momentos, o potencial de desorganização fiscal do município. Em gestões anteriores, inclusive no governo Rosinha Garotinho, houve forte queda de arrecadação, culminando na operação que ficou conhecida como “venda do futuro”, quando royalties futuros foram utilizados como garantia para empréstimos — uma solução emergencial que comprometeu receitas posteriores. 

Esse episódio deveria ter servido como alerta definitivo para a necessidade de diversificação econômica e fortalecimento de receitas próprias. No entanto, até hoje não se consolidou um plano robusto de desenvolvimento capaz de reduzir essa vulnerabilidade estrutural. 

O que a cidade e a população precisam atentar?

A cidade precisa construir fontes alternativas de geração de riqueza e arrecadação. Isso passa por planejamento estratégico participativo, envolvendo setor produtivo, universidades, entidades empresariais, instituições de pesquisa e sociedade civil organizada. É necessário identificar vocações locais — como logística, energia, agricultura de alto valor agregado, economia criativa e inovação — e transformá-las em política pública consistente. 

Sem essa reorganização estrutural, Campos continuará refém dos ciclos do petróleo e vulnerável a crises fiscais periódicas. 

O debate eleitoral é importante, mas mais importante ainda é discutir qual projeto de desenvolvimento de longo prazo queremos para o município. 

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