O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou em tribunal, em Los Angeles, que parte dos usuários mente sobre a idade ao criar contas no Instagram, apesar das regras da plataforma exigirem mínimo de 13 anos. O depoimento ocorreu no julgamento movido por uma jovem identificada como KGM, hoje com 20 anos, que atribui às redes sociais problemas como ansiedade, depressão e questões de imagem corporal.
O processo, iniciado no fim de janeiro no Tribunal Superior de Los Angeles, discute se o Instagram foi um “fator substancial” nas dificuldades de saúde mental da autora. A ação também cita outras plataformas, como Snapchat, TikTok e YouTube.
Zuckerberg comenta idade mínima e responsabilidade da plataforma
Durante a sessão, foram apresentados documentos internos indicando que a Meta estimava que cerca de 4 milhões de crianças menores de 13 anos usavam o Instagram em 2025, embora os termos da rede social proíbam contas nessa faixa etária. Zuckerberg afirmou que o cadastro exige concordância com as regras, mas reconheceu que nem todos os usuários informam dados corretos.
“Há um conjunto de pessoas que mentem sobre a idade para usar os serviços”, disse o executivo. Em seguida, o advogado da autora, Mark Lainer, fez um questionamento direto: “Você espera que uma criança de nove anos leia termos e condições?”.
Zuckerberg respondeu que a empresa aprimorou os mecanismos de proteção ao longo do tempo. “Nós evoluímos para adicionar muito mais controles”, afirmou, acrescentando que contas são removidas quando a companhia identifica informações falsas.
Em outro momento, ao comentar um documento que mencionava oportunidades para explorar o comportamento digital de crianças entre 8 e 12 anos, Zuckerberg afirmou: “Você está insinuando que não estávamos tentando trabalhar nisso, e isso não é verdade”. Ele acrescentou que nem sempre é possível identificar todos que burlam as restrições, mas que ferramentas foram desenvolvidas para esse fim.
Vulnerabilidade, metas internas e defesa pública
O advogado Mark Lainer argumentou que empresas não deveriam lucrar com pessoas vulneráveis. “Uma empresa razoável não deveria tentar ganhar dinheiro às custas dos desfavorecidos”, disse. Zuckerberg respondeu: “Acho que uma empresa razoável deve tentar ajudar as pessoas que usam seus serviços”.
Questionado sobre metas internas antigas que buscavam aumentar o tempo gasto no aplicativo, o executivo afirmou que a companhia mudou sua abordagem. “Se algo é valioso, as pessoas vão usá-lo mais porque é útil para elas”, declarou. Ele negou que a empresa otimize seus produtos apenas para maximizar o tempo de permanência.
A Meta divulgou nota afirmando que o júri deve avaliar se o Instagram foi, de fato, um fator determinante nos problemas enfrentados por KGM. Segundo a empresa, “as evidências mostrarão que ela enfrentou muitos desafios significativos antes mesmo de usar redes sociais”.
Na semana anterior, o chefe do Instagram, Adam Mosseri, declarou em juízo que o uso pode ser “problemático”, mas não equivale necessariamente a dependência clínica. Sobre um relato de uso de 16 horas em um único dia, afirmou: “Isso soa como uso problemático”.
O julgamento é considerado um dos principais casos do ano envolvendo plataformas digitais e segurança online.
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Juíza repreende uso de óculos inteligentes no tribunal
Em outro momento da sessão, a juíza interrompeu os trabalhos para advertir pessoas na galeria que usavam óculos inteligentes capazes de gravar. Ela ordenou que os acessórios fossem retirados imediatamente. Segundo o CNBC, várias pessoas que acompanhavam Zuckerberg na entrada para o tribunal estavam usando os óculos inteligentes da empresa.
“Isso é muito sério”, afirmou a magistrada. Segundo ela, quem insistisse em permanecer com os dispositivos poderia ser considerado em desacato ao tribunal. Gravações não são permitidas na sala de audiência.
O episódio ocorre em meio à presença de tecnologias vestíveis no cotidiano, incluindo modelos desenvolvidos pela própria Meta em parceria com a Ray-Ban.
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