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Dispositivo acelera reabilitação de pacientes com AVC; eletrochoque na língua

Um dispositivo de eletrochoque que aplica leves descargas elétricas na língua está chamando atenção na área de reabilitação neurológica. Chamado PoNS, o aparelho estimula o cérebro por meio de correntes controladas e tem mostrado resultados promissores em pacientes em recuperação após um AVC. O tratamento melhora o equilíbrio, a fala e a forma de caminhar.

A tecnologia, usada junto com terapias tradicionais, vem ajudando pessoas a recuperar movimentos e a fala com mais rapidez. O PoNS funciona enviando pequenos impulsos elétricos que percorrem a língua até o sistema nervoso central. Ele é usado para estimular a formação de novas conexões cerebrais e potencializar exercícios de fisioterapia e fonoaudiologia.

O dispositivo passou por um grande ensaio clínico na fase 3, supervisionado pela FDA, nos Estados Unidos, o que reforça a credibilidade da tecnologia. Mais de 100 participantes fizeram parte de um teste duplo-cego controlado por placebo, que demonstrou benefícios significativos quando o aparelho era usado junto com a reabilitação convencional.

O que é e como funciona o PoNS

Desenvolvido pela Helius Medical Technology, o PoNS é um estimulador portátil de neuromodulação. Ele usa uma espécie de peça bucal para enviar correntes elétricas à língua, enquanto o controle é feito por um colar usado no pescoço. A tecnologia foi criada inicialmente para auxiliar pacientes com esclerose múltipla, mas os resultados chamaram atenção também na reabilitação pós-AVC.

O princípio é simples: estimular regiões cerebrais a reorganizar conexões que foram prejudicadas. As sessões ocorrem junto com fisioterapia e fonoaudiologia, ampliando o efeito de cada exercício. Segundo especialistas, o aparelho não substitui a reabilitação tradicional, mas pode acelerar e intensificar os resultados.

O ensaio clínico de Fase 3 mostrou avanços claros em equilíbrio e marcha. Participantes que usaram o PoNS tiveram melhora mais rápida do que aqueles que receberam apenas o tratamento convencional.

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Paciente em recuperação

Entre os casos acompanhados no Canadá, está o de um eletricista de Ontario. Ele sofreu uma queda de cerca de três metros enquanto trabalhava e, após exames, descobriu um inchaço no cérebro e um cavernoma — uma formação celular que já estava presente antes do acidente. Dias depois, durante um banho quente, teve um AVC.

O paciente chegou a demonstrar recuperação inicial, mas voltou ao hospital após familiares perceberem fala embolada e perda de equilíbrio. O inchaço na região do cavernoma havia aumentado tanto que os médicos decidiram realizar uma cirurgia de emergência para conter o sangramento.

A operação eliminou boa parte do progresso conquistado, exigindo que toda a reabilitação começasse novamente. Foi nesse momento que o uso do PoNS foi introduzido na rotina de recuperação.

Novos planos

A evolução dele surpreendeu. Em seis meses usando o PoNS, o paciente avançou mais do que nos quatro anos anteriores apenas com terapias convencionais. Ele conseguiu recuperar parte dos movimentos, melhorar a fala e ganhou mais confiança para realizar tarefas simples do dia a dia.

Segundo o relato dele, o tratamento não é perfeito, mas trouxe autonomia e qualidade de vida. A melhora também reacendeu a possibilidade de retornar ao trabalho no futuro, algo que parecia distante após o AVC e a cirurgia.

Profissionais destacam que esse não é um caso isolado e que a tecnologia tem potencial para transformar a reabilitação neurológica.

Disponibilidade e custos

Nos Estados Unidos, o aparelho passou a ser coberto por grandes seguradoras. Em junho, a CignaHealth se tornou a quinta operadora a autorizar o pagamento do dispositivo, que tem preço ajustado fora da rede credenciada próximo de 19 mil dólares. Dentro da rede, o valor médio é um pouco menor.

Terapias semelhantes de estimulação pela língua também estão sendo testadas para outras condições, como zumbido crônico. A expectativa é que dispositivos desse tipo ampliem as opções de tratamento para pacientes com sequelas neurológicas nos próximos anos.

Assista ao vídeo:

* Todas as notícias são retiradas de fonte de sites conforme informado na última linha “apareceu primeiro em …”

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