Premiê da Nova Zelândia, Jacinda Arden, renuncia ao cargo

Jacinda Arden em discurso na ONU – Arquivo

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, anunciou em um evento de seu partido na quinta-feira (19), ainda noite de quarta (18) no Brasil, que deixará o posto no próximo dia 7 de fevereiro. O país terá eleições gerais no dia 14 de outubro.

“Estou saindo, porque com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Inclusive a responsabilidade de saber quando você é a pessoa certa para liderar e quando não é”, afirmou visivelmente emocionada aos correligionários, segundo o jornal The Guardian. “Eu sei o que esse trabalho exige. E sei que não tenho mais o que é necessário para fazê-lo da melhor forma. É simples.”

Jacinda poderia tentar a reeleição para o que seria seu terceiro mandato.

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, discursa na Assembleia-Geral da ONU – Michael M. Santiago – 23.set.22/Getty Images/AFP
A política disse em pronunciamento que acredita na vitória de seu Partido Trabalhista no pleito. O vice-premiê, Grant Robertson, já disse em comunicado que não deve ser o candidato da legenda.

Jacinda, 42, ganhou os holofotes aos se tornar uma das chefes de Executivo mais jovens do mundo.

No cargo, viveu episódios que consolidaram sua imagem como uma política com empatia e sensibilidade. No segundo ano de mandato, engravidou e não abriu mão de tirar seis semanas de licença-maternidade —deixando o país na mão de seu vice.

A filha atrairia atenções novamente com três meses, quando foi levada pela neozelandesa à Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Enquanto a mãe discursava, Neve ficou no colo do pai, o apresentador Clarke Gayford.

Em 2019, Jacinda foi elogiada ao transmitir sentimentos de conciliação e união nacional a uma população traumatizada com o massacre de 51 pessoas por um extremista em duas mesquitas na cidade de Christchurch. Após a matança, armas semiautomáticas foram banidas no país.

No ano seguinte, ela levaria o Partido Trabalhista a uma vitória histórica, com ampla vantagem sobre a oposição do Partido Nacional. No segundo mandato, ela se projetaria com a forma como lidou no combate à pandemia de Covid-19. A Nova Zelândia virou exemplo mundial de combate à doença, com quarentena rígida, ampla testagem e uma estratégia de comunicação eficiente.

A estratégia, porém, com o tempo gerou desgaste. Sob pressão de parcela da população, ante o aumento da vacinação e em meio ao surto constante da variante delta do coronavírus, em outubro de 2021 o país anunciou que abandonaria a política de Covid zero e passaria a conviver com o vírus.

Embora conhecida por promover causas progressistas, como os direitos da mulher e a justiça social, Jacinda enfrentou críticas internas de que seu governo falhou em cumprir transformações sociais.

Nos últimos meses, Jacinda enfrentava os índices mais baixos de popularidade desde que chegou ao poder. Sondagem divulgada em dezembro pela Kantar One News Polling aponta que só 29% da população a escolheria como primeira-ministra. Dias antes do pleito de outubro de 2020, quando a legenda foi reeleita, o índice era de 55%.

Fonte: Folha de São Paulo

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