Episódios surpreendentes na trajetória de Lula. Um, de grande infortúnio; outro, de enorme êxito

Esclarecendo desde já que o “surpreendentes” do título não é uma informação, mas a simples opinião da página – logo, de caráter subjetivo – visto que para muitos o primeiro, ou o segundo, ou ambos os acontecimentos revisitados neste texto não trazem surpresa alguma, — a imprevisibilidade da política me fez refletir sobre a vida pública do presidente Lula da Silva, particularmente em dois momentos de sua carreira os quais, para mim, foram de absoluta surpresa.  

Não se trata do início como líder sindical ou dos mandatos que conquistou como presidente da República – incluindo o deste ano.   

Afinal, tudo isso é esperado de um político de trajetória longa e de liderança nacional, independente das vitórias e derrotas eleitorais.   

Na jornada trilhada pelo petista, dois episódios, entretanto, não teria acreditado se não tivesse ‘visto com meus próprios olhos’ – valendo-me aqui de expressão popular: 1) A prisão de Lula. 2) Seu retorno à Presidência da República.  

O primeiro começou a se desenhar com a Operação Lava Jato, em 2014, tendo por objetivo o combate à corrupção no Brasil. O principal alvo: as irregularidades na Petrobras.  

A despeito dos desdobramentos da operação ter levado à prisão, de forma inédita no país, figuras do alto escalão da política e do empresariado – em 2014 o presidente Lula já havia deixado o governo há quatro anos.   

De mais a mais, na minha visão – talvez tacanha – estava fora de cogitação que o político de maior liderança do Brasil pudesse ser preso.  

A despeito das investigações, das delações e dos excessos e arbitrariedades da Lava Jato, enfim, por mais longe que a operação estivesse indo, não chegaria ao líder petista a ponto de leva-lo à prisão.     

Além do tempo decorrido entre o fim de seu mandato e a criação da Lava Jato – o que o deixava longe do chamado Petrolão – admitia até que seu nome viesse a ser envolvido no entorno disso ou daquilo. Contudo, prisão, não. Afinal, era Lula.  

Além disso, como as próprias investigações e a atuação da Justiça de Curitiba não raro colidiam com o entendimento do Supremo, minha ingenuidade não era assim tão absurda. 

Como ressalva, não se está discutindo o mérito das questões: investigações, processos e decisões judiciais. Apenas o fator ‘surpresa’, que fundamenta esta matéria.  

Condução coercitiva e nomeação suspensa    

Com a Lava Jato prosseguindo em sua missão de desbaratar o esquema de propina no país, mas, com os ‘atalhos’ perniciosos que trilhou e as prisões irregulares que procedeu  — em março de 2016a operação efetuou algo sem propósito: a condução coercitiva de Lula à sede da PF, em Congonhas, para prestar depoimento.  

O ex-presidente, que não se furtou a depor na PF nas duas ou três oportunidades em que fora chamado, desta feita se viu obrigado a fazer o que antes fizera por simples convite e sem criar qualquer empecilho.   

Em entrevista posterior, Lula chamou a iniciativa de “show pirotécnico” e declarou que “se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo, e a jararaca está viva”.   

Nomeação suspensa  

Semanas depois, no conturbado governo Dilma, o petista é nomeado ministro da Casa Civil. No dia seguinte, ligação grampeada revela fala da presidente dizendo que enviaria para ele o termo de posse para que só usasse “em caso de necessidade”.  

Diante de liminares que anulavam a posse por motivo de suspeição, e outras que mantinham, o ministro Gilmar Mendes pôs fim ao impasse suspendendo em definitivo a posse e afirmando “ter visto intenção de Lula em fraudar as investigações sobre ele na Operação Lava Jato”.     

O novo contexto desfez a miopia deste jornalista, que só então, com a surpresa já demonstrada, passou a considerar a prisão de Lula como algo provável.  

Em abril de 2018, o ex-presidente era preso por corrupção e lavagem de dinheiro. Lula, que estava no ABC paulista, se entregou e foi conduzido para uma sala da PF de Curitiba.  

Solto – Em 8 de novembro de 2019, após 580 dias de prisão, o ex-presidente fora solto por decisão do STF. Em discurso para apoiadores, atacou a Lava Jato, a PF, e deu os primeiros passos para como pré-candidato.  

Campanha e terceiro mandato  

A segunda grande surpresa deste signatário não foi com a soltura de Lula ou com sua vitória em 2022. Venceu a eleição por 1,8% de diferença, como poderia ter perdido. Com efeito, tão surpreso ficou com sua prisão – que, como dito, não acreditava – quanto com a capacidade de, uma vez preso, conseguir reunir forças e apoios para disputar a Presidência.  

Fica a lição de que a política é uma roda gigante: uma hora se mostra no topo, outra pertinho do chão e, novamente, retoma à posição mais alta.   

Lula da Silva conquistou seu terceiro mandato. A despeito de quaisquer circunstâncias e com o país dividido, a hora é de torcer pelo sucesso. De seu êxito depende um Brasil melhor. 

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